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Anatomia: uma má discussão

Quem nunca teve uma discussão? Apenas aquele que ainda está para existir pode dizer que não teve uma discussão mas brevemente irá perceber que isso não dura para sempre enquanto estiver a competir com os restantes milhares de concorrentes da existência enquanto ser.

Há boas e más discussões como tudo na vida, a única coisa certeira é que nada é perfeito. A boa discussão, se é que existe é aquela em que aprendemos algo e mudamos algo em nós perante o mundo. Já a má discussão é o puro desperdício de ar em que pelo menos uma das partes não está interessada em construir algo de produtivo após essa discussão.

Recentemente, tive a experiencia de viver várias discussões e tive algum tempo para parar e puxar-me para fora do cenário bélico e tentar ser a Suíça no conflito. Rapidamente consegui ver que ambas as partes estavam erradas, nem tanto no que se discutia, fosse correcto ou errado o que tinha sido feito, ou quem tinha feito o pior. Pois ambas as partes tinham pecado, contudo o verdadeiro erro nem era discernir qual das partes poderia ter maior quota na razão, mas sim a postura que já levam para a discussão, ora quando um queria ceder o outro claramente atacava, e quando se chegava à discussão seguinte os papeis acabavam por se inverter.

A anatomia de uma má discussão não está na discussão em si, mas sim no que rodeia, ou melhor dizendo no intervalo da discussão. São todos aqueles pequenos (e grandes) detalhes que vamos fazendo ao longo do tempo apenas para fazer a outra pessoa se sentir mal.

O sentimento de desconforto, o por sal na ferida e os actos egoístas são resultados são fenómenos de “bola de neve”.  Há gesto que são “delicados” outros mais grotescos, mas todos eles contribuem para a má discussão e destruir os motivos que levaram as duas partes a discutir.

Quando olho para trás e anatomicamente disseco a minha discussão sei que no inicio tive razões, mas diversas acções e palavras proferidas levaram-me a perder o motivo original da discussão, contudo estas mesmas acções e ditos levaram a outras reacções que por sua vez também fizeram o outro lado perder parte da razão ganha, e assim sucessivamente.

O resultado é inevitavelmente uma má discussão, pois focou-se sempre nas causas e não no compromisso de solução que funciona-se e satisfizesse ambas as partes.

Resumindo aquilo que nada diz, as discussões são inevitáveis e acabam por ser um exercício de cedências e esquecimentos do egoísmo do ser, devemos querer algo para o futuro e não arrastar o que passou.

Há uma expressão típica que diz “forgive and forget” que dispensamos rapidamente nas discussões, contudo uma má discussão demasiado longa resta-lhe apenas o “forget” e ninguém está mais interessado no “forgive”.

Um dia mais sábio,
Anjo da Guarda

Pérolas da vida: a universidade

Já lá vão meses que aqui não escrevia, contudo esta semana começa algo tão único na vida de muitos que não podia passar em branco, as inscrições na universidade. Quero dedicar este artigo a todos que me ajudaram nos meus percursos académicos, a quem começa agora o seu, aos meus pais (por toda a sua paciência), aos amores e ódios que acumulei neste percurso e a ti.

Nada pode contextualizar o inicio de aulas na universidade que a expressão “vida nova”. Hoje começa o primeiro dia da tua vida, e nada será como foi… tudo agora é novo, é como uma montanha russa cheia de cores, sorrisos, lágrimas, realizações, desesperos, felicidade e tristeza.

Esta é a oportunidade para te reinventares, e decidires quem irás ser e quem não irás ser… esquece os valores de outros tempos, pois ao entrares no templo do saber irás ao longo dos anos compreender que não és quem pensavas que eras, que és capaz de mais que alguma vez sonhaste e menos que imaginavas.

És um filho “bastardo” dos deuses, que serás amado e odiado, que amarás e desprezarás seja pelo corpo docente, pelos colegas, pela família, pelos amigos e restantes. E no final serás não o que queres ser mas aquilo em que te transformaste, agora está tudo nas tuas mãos – o futuro é teu e só teu. Ao longo, dos vários anos e várias universidades aprendi lições únicas para a vida, que hoje partilho contigo,

1- A praxe…

Tal como as típicas cervejas do bar com os amigos, a praxe também deve ter limites, não lhe fujas mas também não sejas cego e cedas ao excesso. Na praxe vais conhecer outras almas tão perdidas como tu, vais encontrar aquele lado humano que tanta falta faz depois de todo o passado ter “desaparecido”. Contudo tem cautela, pois esse lado humano é mesmo humano e irá te desiludir várias vezes.

2- O passado… presente…

O passado pertence no passado, é apenas uma recordação de quem foste e o que tinhas… é uma bagagem que carregas contigo. À medida que vais fazendo as tuas viagens nesta nova aventura vais te esquecendo de peças pelos “hotéis” da vida… são poucas as coisas que não consegues substituir. Inevitavelmente irás perder o contacto com aqueles que não estão ao teu lado, sejam amigos, inimigos, amores, hábitos, entre outros. À medida que o tempo for passando, volta a ler esta dedicatória e lembra-te, é um novo inicio e não é fácil, mas também não tem de ser mau.

3- O futuro…

Apenas um conselho te posso dar, isto é se ainda não aprendeste até agora… tudo o que fizeres hoje vai mudar o teu mundo amanha. Não percas as tuas oportunidades! Sê um bom aluno, distingue-te do rebanho! Sê um bom companheiro e terás sempre alguém com quem contar. E Sê fiel às tuas decisões, aprende a viver com as tuas escolhas, vais sempre perder e ganhar, afinal de contas “quando Deus fecha uma porta, abre uma janela”.

4- Amores…

Agora que deixas para trás aqueles têm um lugar especial no teu coração, e por mais que queiras acreditar que tudo vai correr bem, tens de aceitar que o mais provável é isso não acontecer. É habitual dizer-se para outras situações “coração que não vê é coração que não sente” o mesmo aplica-se aqui, corações separados deixam de sentir. Guarda com carinho o que fica agora para trás, tenta manter aquilo que realmente é importante o respeito, a amizade. Por vezes é melhor abrir mão que fazer outros sofrer… Não te digo para ires correr e acabar tudo que tens, mas que te prepares para quando acontecer… lembra-te do ponto 2, sê um bom companheiro e não terás de passar por isso sem ajuda.

5- O curso…

Se este não é o que queres, não desistas… aprende o que tens para aprender e sê bom. No final tens a recompensa, podes fazer um mestrado, podes tirar outro curso… Acredita que há sempre novas oportunidades no futuro que hoje não vês…. A mudança é boa, mas tempo perdido em que não ganhas nada é apenas deitar a tua vida fora.

6- Erasmus…

Vai! Segue! Aproveita o que mundo te pode mostrar… Segue as estrelas e sonha… arrisca viver a tua aventura! Apenas faz isso na melhor altura, vai no segundo ano, as equivalências são difíceis e podes ter que precisar recompor a tua vida académica, se fores no fim do curso poderás precisar de mais um ano…

7- Sonha…

Tudo é possível quando te esforças por isso. A tua vida começou agora tudo o que quiseres é possível desde que faças por isso.

Não deixes que os sonhos te fujam das mãos porque não tens a coragem de os agarrar. Tenta apenas te arrepender do que fizeste…

A tua vida está aqui e agora! Tudo depende de ti, sê audaz e mostra-me o melhor que há em ti!

Acredita em ti como eu acredito em ti.

Fiel companheiro,

Anjo da guarda

De olhos postos nos céus e mãos nos bolsos

O título deste artigo é deveras sarcástico e irónico, pois irei escrever um pouco sobre um tema da actualidade, que recentemente fez capa numa revista de generalidades, o aquecimento global. Ora não fosse na bela Dinamarca que se reuniriam lideres das várias potências mundiais para discutir o ambiente. Faz lembrar um evento que não faz assim tantos anos, a Cimeira da Terra que ocorreu no Rio de Janeiro.

Abri este artigo com um título que acho que faz jus às preocupações do momento, chegamos a um ponto na história do homem em que nos vemos ameaçados pela forma que tratamos o planeta que nos alberga correndo o risco deste nos expulsar, porém sem tecnologia nem ponto de destino quando isso acontecer. Desta forma, começamos a ser obrigados a pagar as rendas que ficaram para trás e pagar os juros dos comportamentos dos “nossos” antepassados.

Contudo, o mundo é todo ele menos unido ou igual… o Socialismo fracassou e as riquezas estão dispersas, de tal forma que dividimos os países em nomes como “desenvolvidos”, “ricos”, “subdesenvolvidos”, “em vias de desenvolvimento”, “pobres”, “de terceiro mundo… enfim os nomes são tantos.

Quando olhamos para a história do nosso planeta também conseguimos sem grandes esforços ver que os países ditos desenvolvidos foram aqueles que lá chegaram pelas suas atrocidades (para com o ambiente), veja-se o caso do Reino Unido, onde na sua capital encontramos o fenómeno smog (fumo com nevoeiro). Contudo este são também os países que hoje tentam liderar práticas mais ecológicas e incutir as mesmas aos restantes países.

Costuma-se dizer que os países subdesenvolvidos estão a séculos dos desenvolvidos e quando falamos em protecção da natureza isto é uma realidade quase inevitável, a poluição gerada por estes é elevada mesmo que menor dos países industrializados durante a revolução industrial. Contudo são estes que devem pagar o progresso milenar dos restantes? E de que forma?

Um argumento apresentado constantemente por vários dos países “mais poluidores” é qual o motivo que o seu desenvolvimento deve ser afectado pelos “crimes ambientais” praticados por outros? Afinal de contas, não foram eles… E assim começa uma guerra que transcende estados, empresas, pessoas, ideais e vontades.

Quando, logicamente, chegamos à conclusão que para estes países pagarem o preço do desenvolvimento de um grupo restrito de países é preciso que lhes paguem a eles, sendo o valor da etiqueta neste caso de diferentes géneros numa altura que o sistema financeiro está em apuros… a solução parece ainda estar longe e a boa vontade dos líderes destas potências transforma-se rapidamente em apenas mais um acto de poluição (pois os aviões também poluem).

Assim ficamos a olhar para os céus com as mãos nos bolsos, pairando apenas a dúvida temos as mãos nos bolsos porque? Procuramos ver quanto temos para pagar desta renda, ou simplesmente esperamos que o céu nos sorria?

Também a olhar para o céu,
Anjo da Guarda

super-califragilisticexpialidocious

O Natal é aquela data especial para todas as idades e de tão diferente forma diferente… Nesta quadra lembro-me sempre de diferentes fases da minha vida, quando era miúdo, jovem inconsequente, jovem adulto e quase-quase adulto…

Quando era miúdo…

Na flor da idade olhava para o calendário à medida que o dia 25 de Dezembro se aproximava e começava a escrever a carta ao pai natal que depois entregava aos meus pais para eles enviarem no correio. À medida que montava a arvore de natal preparava estratagemas de como apanhar o pai natal em flagrante e “cravar” mais uns presentinhos… no inicio adormecia sempre, mas com o passar dos anos a minha resistência às tardias horas aumentava e lá consegui ver o pai natal. Contudo a minha irreverência não me fez ganhar mais presentes…

Enquanto jovem inconsequente…

Nesta fase, já tinha mais perguntas existenciais que propriamente o que o pai natal traria… como por exemplo, quem tinha inventado o Natal… Bem o padre da paroquia sofreu muito com este dilema, contudo irei deixar apenas o resumo do extenso combate… Na realidade a palavra Natal é directamente associada ao nascimento de Jesus de Nazaré, contudo varias das tradições que hoje temos do natal são importadas à adoração a Yule (também por vezes conhecido por Thor, na mitologia viking). Na realidade, já antes do nascimento de Cristo haviam rituais pagãs perto do final de Dezembro associados ao solstício de Inverno (21-Dezembro) entre os quais o corte do pinheiro. Assim, durante o cristianismo da Europa, tal como outras épocas especiais foram importados rituais pagãs para as práticas católicas (outro exemplo é o dia das bruxas, dos finados e todos os santos).

Contudo, nesta altura da minha vida procurava mais a minha vida social fora das quatro portas do lar, doce lar que propriamente à mesa de casa (acreditem é uma fase). Sendo assim o natal passado entre a família e a alcateia.

Enquanto jovem adulto…

Esta fase para mim foi marcada pela universidade, claramente o facto de a minha universidade ter sido a milhares de quilómetros de casa implicou que começa-se a dar um pouco de mais valor às tradições familiares. Estes foram os anos que realmente parti à descoberta do mundo e vivi nas mais diversas culturas tendo visto imensas formas de observar o mundo, a religião e a sociedade… contudo o Natal era aquele momento de voltar às origens e partilhar em família tudo aquilo que tinha absorvido e o mundo me quis oferecer.

E com toda a certeza o natal foi quando aprendi com a Dorothy: There’s no place like home. – Wizard of Oz (1939). [sidenote: vejam o filme, é um clássico!]

Quase-quase adulto…

Pouco mudou, entre este e o momento anterior… a vida continua a atirar-me para vários cantos do mundo sem dó nem piedade, mas os natais continuam a ser sagrados em família… marcados apenas pelas alterações do agregado familiar, pois a idade dos miúdos de antigamente agora transforma-se em pessoas responsáveis que começam a preparar novos capítulos na vida. Sendo que começam a ser apresentadas à família as futuras aquisições para as próximas equipas de natal. Afinal de contas nada diz compromisso como levar a namorada para casa no natal…

No futuro!?

Bem… será provavelmente viver todas as experiências que passei pela perspectiva do observador… e claro que ensinar às gerações vindouras o “supercalifragilisticexpialidocious” – Mary Poppins (1964).

Um bem-haja ao S. Martinho…

Finalmente esteve aí o Verão de São Martinho, após um domingo de chuvas e ventos que tudo que apetecia era ficar em casa e nem pensar em sair debaixo dos cobertores São Martinho apareceu com um excelente tempo.

E que podemos fazer quando a oportunidade bate à porta desta forma? Aproveita-la e desfrutar este dia com prazeres simples da vida. Acordei esta manhã já atrasado para os meus afazeres e enquanto decidia o que vestir olhei lá para fora para ser apanhado de surpresa (agradável). Lá me vesti de pé ligeiro e parti para os meus afazeres do dia-a-dia, porém nas tarefas rotineiras do costume olhava para a janela e o sol sorria para mim… tornado aquilo que estava a fazer ainda mais aborrecido.

Optei por ser honesto para com os meus pares e comigo mesmo, levantei-me e disse – peço imensa desculpa, mas este será provavelmente o último dia destes nos próximos tempo e vou aproveitar. Sai porta fora e pegava no telemóvel, estava a marcar o número de uma amiga (residente numa zona costeira) que raramente tenho oportunidade de estar.

Passei rapidamente por casa para deixar os agasalhos extras, pois quando saí não acreditava muito que tão bom tempo fosse ficar. Peguei nos meus óculos de sol e fiz-me a caminho, entrei naquela via rápida para perder o mínimo de tempo possível… e a dada altura olho para a velocidade e já ia bastante acima do limite legal e da velocidade permitida – contudo não abrandei. Nisto ia a ouvir o meu mp3 – o qual já precisa de umas musicas novas – e apreciar o dia.

Rapidamente cheguei ao meu destino, e fui almoçar com a minha amiga e depois fomos até uma explanada ter uma conversa que era capaz de matar as formigas de tédio, mas nem por isso menos estimulante.

Agora, já em casa e depois de tão espectacular tempo, não consigo deixar de pensar que há pequenas coisas que nos realizam tanto (mesmo que por apenas alguns momentos). Não posso dizer que tudo o que fiz foi moralmente correcto, mas posso dizer que a gazeta, o excesso de velocidade, entre outras coisas – ditas erradas – realmente valeram a pena.

Assim, obrigado S. Martinho!
O Anjo da Guarda

PS: sou anjo, mas não sou santo 🙂

Agora quem é o Anjo da Guarda…

Se há algo em que estarei de acordo com o Advogado do Diabo é a confortável sensação que este anonimato me confere. Reparei que num artigo passado alguém atribuiu a autoria dos meus textos ao Administrador de Comunidade.

Naturalmente não irei sair do conforto deste pseudónimo para revelar a minha verdadeira identidade, verdade seja dita que apenas um grupo muito restrito sabe quem na realidade sou, tal como a verdadeira identidade do Advogado e assim permanecerá por um longo período de tempo se depender da nossa vontade.

No entanto, tal como o Advogado fez, irei dar algumas pistas sobre quem sou sem revelar nada de pessoal. Creio que mais que o meu nome verdadeiro é o meu percurso, o que ficou para trás, o que faço agora e o que planeio para o futuro é o que faz de mim quem sou hoje.

Ironicamente, conheço pessoalmente o Advogado há muitos anos – os nossos caminhos se ligaram com um episódio na nossa vida, já em tenra idade tínhamos formas distintas de ver o mundo apesar de toda a nossa ignorância e teimosia de provar o outro de errado. Por algo estranhamente normal criamos um laço de amizade que até aos dias de hoje se mantém. Embarcamos no mundo académico nas mesmas áreas sempre com a picardia de provar o outro de errado, algo que até hoje continua. Partilhamos amigos, colegas e conhecidos e situações do arco-da-velha, porém em todo as nossas discordâncias conseguimos sempre encontrar o meio-termo de berros em discussões filosóficas.

Ao contrário do Advogado, eu acredito que as pessoas são mais que meramente o produto das circunstâncias – não removo a importância destas, mas acredito que há um padrão de morais dentro de nós capaz de se elevar ao que nos envolve. Por esse mesmo motivo acredito que as relações entre as pessoas podem durar e funcionar (e não falo exclusivamente das amorosas).

Porém com a convivência e influência do Advogado, também vejo que o mundo não é apenas um mar de rosas e existe algo por baixo do encantado perfume marcado pelos espinhos. E aqui fica a verdadeira diferença entre nós, ora o Advogado acredita que quando nos afundamos para essa área devemos mudar e perseguir algo novo, para mim devemos avaliar a situação e descobrir se é valido investir nesta circunstancia temporal e melhorar ou se tal visão é utópica.

Ao contrário que muitos possam pensar, entre nós existe uma grande proximidade da realidade abordada de uma forma muito sintética. Porém um acredita na construção das condições ideias ou outro acredita na filosofia da altura certa e local certo.

Qual das formas é a postura correcta na vida? São as duas, é encontrar o local certo, na altura certa para construir o momento “perfeito”. Contudo, é quase impossível combinar estas duas posturas e acaba-se por ter de se arriscar. Como diz o Advogado, acaba por ser como andar com óculos escuros durante a noite, nunca se sabe contra o que esbarramos.

O vosso,
Anjo da Guarda

Nobel da paz…

Creio que como grande parte das pessoas que ocasionalmente param para tentar seguir o mundo ficaram chocados com a atribuição do prémio Nobel da Paz ao Presidente Norte-Americano – Barack Obama. Desde que começaram as eleições primarias Americanas o mundo vidrou na corrida entre Hilary Clinton e Barack Obama, ambos os candidatos seriam uma leva de ar fresco em contra posição ao “reinado” Bush dos 8 anos anteriores.

Durante as primarias vi a popularidade de Obama a crescer e numa batalha que apenas nos últimos instantes se decidiu, Obama tornou-se o candidato democrático à Casa Branca numa nova corrida contra Sarah Palin (candidata à vice-presidência pelos republicanos). Já durante a sua campanha Obama prometia grandes reformas internas no seu país como uma politica externa mais aberta.

Com a vitoria de Barack, rapidamente a imprensa se focou em mostrar as diferenças entre este e o seu antecessor, contudo esqueceram-se que o mundo tinha mudado. A herança e a situação global deixada por Bill Clinton era totalmente diferente do legado agora deixado por George W. Bush. Obama entra no poder quando o mundo olha seriamente para a sua carteira, pois a crise financeira é algo que já nos afectava a todos, a “missões de paz” no Iraque e Afeganistão já se tornavam incomportáveis no cenário mundial, e ainda surge a já famosa quasi-pandemia – a Gripe A.

Se Bush entrou no poder com o objectivo de restaurar a “supremacia” americana e ao tentar fazer cavou diversos buracos bélicos e teve de lidar com episódios complicados como o 11 de Setembro, Afeganistão, Iraque, Irão, Coreia do Norte, Rússia, entre outros. Os primeiros anos de Obama serão claramente desfazer (parcialmente) o que foi feito pelo seu antecessor nas politicas externas enquanto tentará aplicar reformas mais “socialistas” a nível interno, sendo assombrado pelo custo destas ideias numa altura que não existe dinheiro ora a época das vacas gordas já acabou.

Todas estas alterações planeadas colocaram o novo presidente na boca do mundo a expressão “we can“, de tal forma que mesmo antes de algo tangível ser feito a comissão dos prémios Nobel distingue-o como o homem que se provou em 2009 como o Homem da Paz! Apesar de gostar muito dos discursos proferidos por Obama, tenho que perguntar: Afinal de contas que passo deu Obama para a Paz? Esta situação faz-me lembrar outro laureado pela Paz, Martin Luther King Jr – sem nenhum descrédito por todo o seu trabalho pela igualdade de etnias mais que merecido, afinal de contas somos todos pessoas de direitos iguais, sem relevância à cor de pelo, sexo, crenças, entre outros. Não foi o “I have a dream” que lhe valeu o prémio, mas um discurso sobre o Vietname.

Receio, que o prémio seja apenas atribuído pela intenção futura e cargo ocupado (que para uns ainda é considerado o Homem mais importante do planeta) e não pelo seu mérito. Olhando para o desconcerto do mundo e a sua situação caótica, caso Obama vá em frente com a tal visão do mundo será um digno laureado, no entanto revejo as minhas reticencias nos interesses do povo norte-americano, será que há forma de fazer cumprir essas promessas? afinal de contas o dinheiro não estica e os americanos já taxam as promessas feitas que são ainda mais caras que a paz no mundo. Como irá Obama (literalmente) pagar estas promessas e fazer jus à sua nomeação?

Admito que estou um pouco céptico, dadas as circunstancias do mundo em que vivemos… E à medida que leio os jornais, revistas, artigos, vejo a esperança depositada em Obama e nos seus discursos. Este é hoje comparado a outra figura, Mikhail Gorbachev (ultimo presidente da URSS) e consigo ver esta analogia de forma diferente.

Gorbachev foi outro reformista, de outros tempos, a sua visão do mundo era também diferente ao esperado pelos seus pares, tendo adoptado uma posição de transparência e reconstrução para abolir a cortina de ferro que separava o mundo em duas fracções. Apesar de todas as boas intenções e os contributos de Gorbachev para o final da guerra fria e o mundo ser como é hoje, ele no inicio foi aclamado como um salvador tanto na URSS como no exterior, tendo conseguido rapidamente ganhar apoios do seu povo e o respeito das fracções “inimigas”. Contudo esta popularidade foi destruída pelo erro de agradar primeiro pela politica externa e deixar o “império soviético” se desmoronar na bancarrota.

Assim, resta apenas sonhar com um futuro melhor, esperar que Obama seja capaz não só de cumprir com as suas promessas ao povo americano, como também encontrar forma de honrar a distinta nomeação pela Paz.

de olhos postos no futuro,
Anjo

Álcool na juventude…

Alguém sugeriu recentemente que se fala-se no binómio álcool-juventude, a minha maior dificuldade é decidir se existe álcool na juventude ou juventude no álcool. A minha única conclusão é que ambas as premissas são uma realidade actual. Apesar de ainda não ser muito velho, estou numa fase de maturidade que me distingue dos tempos de adolescência (mas ainda com proximidade) e permite-me observar na terceira pessoa tais rituais.

O álcool têm várias formas de se ver, pode ser um toque de classe (como um bom vinho com uma boa refeição), um refresco de verão (o tal fino na esplanada), o afogador dos problemas (a garrafa de vodka), uma linha de engate (pagar um copo num bar), um ritual de iniciação (os barris de cerveja nas festas académicas), entre outros.

Eu pessoalmente bebo um copo ou outro com alguma regularidade, porém rara é a altura que subo acima das 0,5mg/L (limite legal para condução), contudo em raras ocasiões é possível ser encontrado um pouco alcoolicamente bem-disposto. Tal acontece apenas em circunstâncias muito especiais e quando a minha responsabilidade e consciência sobre os eventos que se seguem o permite.

Como muitos jovens, também passei pela fase de um consumo excessivo de álcool – apesar de esta fase ter sido altamente reduzida no tempo. A minha fase ocorreu no meu ano de caloiro quando estava a muitos quilómetros de casa e as saídas nocturnas a bares eram a forma de integração num novo grupo de amigos, e um copo era o perfeito quebra-gelo.

Contudo, o álcool hoje aparece na vida dos jovens cada vez mais cedo, hoje em dia ao sair de casa com os meus amigos ou aquela pessoa encontro com regularidade pessoas nos seus 14 anos já num estado além do alcoolicamente bem-disposto. É o “novo” grito de rebeldia! E é ao mesmo tempo o motivo pelo qual, deixei o meu ritual de caloiro e hoje sempre que bebo é com extrema moderação. Olho muitas vezes para as situações que ocorrem com estes jovens e na minha infinita paciência tento desarmar as situações que de mim se aproximam.

É uma paisagem “normal” sair e ver um grupo de miúdos embriagados, permitam-me ser rude, é como as pessoas que atiram com o lixo para o chão… apenas poluem o campo de visão e há sempre alguém que fica para trás e apanhar.

No entanto há um cenário mais grave que é a universidade. É nestas que muitas vezes se agrava o hábito do consumo excessivo do álcool, e torna-se muito difícil de “combater” este problema. A decisão de quanto beber é um pouco como a questão: quão anormal ei de ser hoje!? Coloco as coisas por este prisma tão negativista por ser uma pessoa altamente interligada ainda na vida académica. Recordo-me que não faz muito tempo de ter chatices atrás de chatices porque o grupo de amigos de uma ex-namorada era dos tais que o álcool era algo importante para eles, apesar de ela raramente beber. O factor de ela não beber enquanto inserida nesse grupo foi também um problema para ela, ora muitas pessoas utilizam o álcool como a desculpa máxima para fazerem algumas coisas menos próprias e “ilibarem-se” dos seus actos.

Por outro lado, passei vários anos a estudar como o álcool influencia a saúde e vida das pessoas. Compreendo os “motivos” pelos quais as pessoas bebem em excesso e não os censuro, apenas acredito que há outras formas de se lidar com os “problemas”.

De quem é a culpa do consumo de álcool? Apenas da pessoa que leva o copo à boca… e não digo isto numa forma moralista, pelo contrario. Cada qual tem momentos na vida que são mais veneráveis e não existem protocolos mágicos de curas para esses momentos, o mundo é cada vez mais cinza aos olhos das pessoas e desanima a vontade de lutar por melhores momentos. Mas a garrafa não é o mesmo que uma caixa de cereais – não há um prémio no fundo desta.

Aos amigos sóbrios, o consumo excessivo de álcool pode ser uma fase passageira ou algo que perdura. Infelizmente, o álcool é um psicotrópico de efeitos deprimentes – quer isto dizer que quanto mais se procura a felicidade no fundo de uma garrafa mais deprimido se fica. E muitas vezes é preciso intervir clinicamente. É da responsabilidade de quem está à volta dessa pessoa de saber quando as coisas já descarrilaram e actuar antes que se perca demasiado. No entanto isto é algo difícil pois desagradar um bom amigo, mesmo que para o seu bem é complicado.

Tudo faz bem na dose correcta, mas os excessos matam.
Anjo da Guarda

Os jogos e a vida pessoal…

Alguns dias atrás navegava pelo fórum e lia uma sugestão de artigo, como algumas pessoas levam o jogo demasiado serio e por vezes que tal interfere com a sua vida pessoal. Este é um artigo que me pôs a matutar sobre este assunto e especialmente na forma de como o abordar. Duvido que era esta a abordagem que o leitor queria ler, mas torna-se mais fácil para mim concluir algo através de uma “visão clínica”.

Assim arranco com o conceito jogo e a sua inserção na vida de cada um de nós. Jogos é aquilo que fazemos todos os dias, não é um conceito estrito a joguinhos de computador e de tabuleiro, na realidade tudo na vida acaba por ser uma espécie de jogo. É uma forma que o nosso foro psicológico se auto-regula para vivermos uma vida sã (mentalmente). Algumas teorias mais “arcaicas” definiam a vida como um sistema de desafios para se passar de nível de forma a se atingir novos pontos de maturidade.

O jogo (conceito generalista) torna-se assim uma parte integrante da nossa formação pessoal e aprendizagem como seres humanos, quem nunca jogou aos polícias e “roubões”? Que é isto senão um RPG (Role Playing Game) na sua versão offline. Porém, no desenvolvimento desta actividade rapidamente entram conceitos sociais importantes para a dinâmica cognitiva de todos nós, como as regras, a definição de papéis e um elo social de interacção entre diversos indivíduos.

Outro “jogo” comum e presente em todas as idades é a futurologia da mente, uma espécie de xadrez mental que fazemos todos os dias – simulamos (bem ou mal) decisões que temos de tomar e tentamos prever reacções, gosto de pensar que isto é uma espécie de simulador de voo dada a complexidade de variantes que temos de tentar controlar e o objectivo é falhar as twin towers.

Os jogos são onde a nossa mente se refugia, pois é o local ontem podemos teorizar e testar decisões e posturas que nos ajudam a formular as “verdadeiras decisões”. Sem termos de arrecadar com as consequências reais que a vida nos impõe.

Quando compreendemos este conceito que passamos a vida a jogar na nossa mente, devemos ponderar uma nova questão. Vivemos na era do High-Tech, temos emails, sms, telefones moveis, programas de mensagens instantâneas, vídeo-conferencias, etc… mas mesmo assim as pessoas ainda se deslocam milhares de quilómetros para concluir negócios, para ter conversas cara-a-cara… qual o motivo? Se o uso destas tecnologias nos permite comunicar muito mais rapidamente!?

A resposta a esta questão é simples, o contacto humano trás uma valência de sinceridade muito superior à conversa. Estar no mesmo local com quem se está a comunicar permite ler a linguagem verbal e não verbal expondo a pessoa a um nível de “stress” muito superior.

Então o que acontece com os jogos online, estes são o casamento perfeito para a nossa mente. Ora as nossa simulações mentais são sempre tão limitadas… nunca conseguimos prever todas hipóteses, mas podemos sempre citar uma das lei de Murphy: Quando sabemos as duas formas de algo correr mal e as corrigimos, surge uma nova que irá acontecer.

Desta forma os jogos online, permitem-nos interagir com as pessoas e “jogar o jogo”, teorizar e até pedir conselho. Mas a verdadeira vantagem é a combinação deste factor com a muralha do não estar presente, o facto de a pessoa estar blindada pelo monitor permite dar a tal segurança de preservação que o cara-a-cara nunca permitiu. E assim cria-se o mito do crime sem vítima (visível), pois facilmente as pessoas partem de um pré-conceito que sendo um mundo virtual ninguém leva a serio, mas as emoções à distancia, cara-a-cara, ou mesmo nas simulações intelectuais são sempre bem reais.

As dinâmicas num mundo virtual e desprovido do contacto directo são o paraíso da protecção pessoal pois ninguém consegue saber a sinceridade daquilo que está a acontecer, pelo outro lá é o inferno dos abusos pois ninguém vê a lágrima no canto do olho para perceber que está na altura de parar. Criando assim os que abusam e os abusados, sem intenções de fazer os outros sofrerem, afinal de contas apenas os loucos tem a necessidade de criar um péssimo dia a outra pessoa.

Como conclusão, se existe alguma… as pessoas não trazem os seus problemas para os jogos virtuais, apenas usam os jogos virtuais para substituir alguns dos jogos da sua vida. O que fazer então, o mesmo que faríamos numa situação “real” constroem-se mecanismos de auto-preservação e desenvolve-se a capacidade de comunicação directa sobre o que absorvemos dos dados estímulos.

A descascar a cebola do nosso ser,
Anjo da Guarda

A história de todos nós…

A nove de Novembro de 1989 iniciava-se um novo mundo com a destruição do muro de Berlim. Na minha infância, marcada pela experiencia de atravessar o muro de Berlim do ocidente para o leste e voltar, sendo ainda uma mera criança que pouco percebia de políticas e o mundo para mim girava à volta do meu umbigo não consegui deixar de ficar perplexo com as duas distintas realidades.

berlinHoje, 19 anos mais tarde, celebra-se a queda do muro e preparam-se os festejos do vigésimo aniversario da (des)união europeia e mundial. Para muitos de nós esta data passaria desapercebida se não fosse pela espera cobertura dos mass-media, porém é quase impossível acreditar que tal evento torne-se uma mera data do passado.

Se ainda no apogeu da minha vida, olho para os últimos 10 anos e vejo como o mundo evolui para o bem, tal como para o mal, se acrescentar mais 10 anos as diferenças conseguem ser abismais. Não vivi noutra época para poder comparar, mas creio que tal fissura na forma de viver já não acontecia desde a revolução industrial.

A queda do muro marca o inicio de uma estabilidade para a maior parte dos povos é com esta data que se afastam os medos das guerras – elas ainda existem a ceifar milhares de vidas, contudo estamos separados delas pelo vidro da televisão. Os problemas parecem agora ser de todos, seja a gripe, seja a SIDA, a fome, os regimes não democráticos, entre outros. A cortina de ferro deixou de existir e o mundo globaliza-se pelos zeros e uns que circulam pelos cabos da internet.

Vinte anos atrás os meus melhores amigos eram os meus vizinhos e familiares, continuam a ser neste momento, no entanto junta-se a este leque pessoas das mais diversas nacionalidades e uma mistura pluricultural que me fazem sentir como não só português, mas também um cidadão do mundo.

O mundo deixou de ser até ao final da rua e agora estende-se até aos confins da vista e além. Isto tudo porque um muro caiu… Considero-me afortunado por ter acompanhado estas voltas que o mundo deu cheias de emoções e descobertas do Homem. Este anos foram glorificados não pela corrida espacial, não pelo armamento, muito menos por novos países ou terras além-mar, foi sim marcado pela descoberta do Homem como seu próprio igual, pelas dificuldades de reconciliar-se com velhos inimigos.

Quase vinte anos mais tarde, e com um pouco de mais consciência do tamanho do mundo continuo pasmado com aquilo que fomos capazes de fazer nestes anos e acredito que muito mais está para vir.