Entrevista Jogador Alakude

Agradecemos antes de mais ao Jogador Alakude pela disponibilidade que teve em responder às nossas perguntas e por esta partilha de experiências, enquanto jogador, com toda a comunidade Tribos.

1-Pode-nos dar uma breve introdução ao seu começo no tribos? (Como teve conhecimento do tribos? O que o motivou e como aprendeu a jogar?)

Antes de mais, gostaria de agradecer o convite para esta entrevista, apesar de, como lhe disse, achar que na nossa comunidade existem jogadores com muitas mais razões para serem entrevistados.

Ouvi falar do jogo através de dois amigos meus. Na altura (2009), não tinha internet, pelo que me era um pouco complicado vir ao jogo. Mas, à medida que foi crescendo o vicio, lá tive que arranjar forma de vir cá mais vezes. Comecei a gostar do jogo porque sempre gostei de jogos de estratégia, e também porque na altura duas das pessoas com quem mais convivia falavam muito do jogo e, para não ficar de parte nas conversas, lá decidi dar-lhe uma oportunidade.  Eles ensinaram-me as coisas básicas do jogo (verdade seja dita, eles também não eram grande coisa na altura), e lá tive que aprender praticamente tudo sozinho – como gosto, aliás, porque a fase da descoberta é sempre mais empolgante do que aquela em que tudo se torna mecanizado. Depois, quando já dominava relativamente bem os conceitos básicos do jogo, comecei a ler tutos e a desenvolver as minhas próprias estratégias. Até sensivelmente ao mundo 25, jogava apenas para o fun ou para melhorar a minha qualidade de jogo (houve mundos onde só treinei o sprint e bazei, sem sequer olhar para a classificação); a vontade de “jogar para o top” só veio depois – se não tivesse vindo, talvez jogasse mais do que atualmente jogo.

2-Primeira tribo?

HeL (Honra e Lealdade), mundo 9.

3-Estilo de jogo? (defensivo, ofensivo)

Não me considero nem um jogador defensivo nem ofensivo; tento ser o mais equilibrado possível, mas, se tivesse mesmo que escolher entre essas duas, diria defensivo. Isto deve-se ao facto de previlegiar sempre a segurança – tento nunca dar “um passo maior do que a perna”, sobretudo em termos de conquistas; conquisto apenas aquilo que sei que sou capaz de segurar. No entanto, não deixo de atacar. Nunca.  Mas verifico em todos os mundos onde entro que, numa fase média-avançada, tenho sempre menos fulls ofensivos do que os jogadores com o mesmo número de aldeias que eu. Todavia, para contrariar isso, costumo atacar sempre coordenado – menos quando falta tempo ou paciência –, com os ataques a bater sempre o mais próximos possíveis e sem deixar um único viking parado nas aldeias.

4-Primeiro nick?

Quem me conhece sabe que eu nunca revelo os meus nicks antigos. Nem eu saberei dizer bem porquê, só sei que não gosto. Dos jogadores que me conhecem como Alakude, nenhum sabe nenhum nick meu para trás do 25. Por isso, para esses jogadores, o meu primeiro nick é “Alakude”.

5-Sabemos que as tribos são sempre muito importantes no jogo e não é por acaso que se fazem escolhas quanto à tribo onde queremos ou ambicionamos estar. Verificámos que mudou mais de uma dezena de vezes de tribo. Porquê a mudança de tribo tantas vezes?

Sim, no mundo 28 mudei de tribo várias vezes, mas isso não é tendência minha. No 9, por exemplo, mantive-me sempre na mesma tribo, até sair do mundo; no 14, mudei de tribo apenas 2 vezes, devido a fusões; no 25, poucas também . Essas mudanças no 28 devem-se a dissoluções e fusões de tribo. Quando entrei no mundo 28 novamente (cerca de seis meses após a sua abertura, onde também estive de início), entrei como um jogador da Velha Guarda. No entanto, devido à minha “pequenez”, só entrei na minha verdadeira casa quando já tinha um número considerável de aldeias, juntamente com alguns ex-membros dessas tribos por onde andei. Se tivesse entrado na 1. logo de início, não teria mudado mais nenhuma vez de tribo (a não ser, é claro, para a outra tribo da família).

6-Neste momento está no mundo 28 com 879 aldeias. Como se gere tanta aldeia?

Não considero que 800 aldeias sejam assim tantas aldeias. Na verdade, acho que gerir 100 aldeias ou 1000 é igual, desde que se tenha conta premium. Quem já esteve em contas minhas compreende que a coisa que mais as caracterizam é a organização. É essa organização que me permite não precisar de estar muito tempo no jogo, já que de facto ultimamente não posso andar mesmo muito cá.

Há quem diga que ter o mesmo nome em todas as aldeias complica as coisas, e em parte complica, mas comigo funciona assim: tenho as aldeias agrupadas consoante as suas características; tenho os mesmos edíficios e a mesma tropa em todas as aldeias de um determinado grupo, mas diferentes dos outros grupos, embora tenham todos os mesmos pontos, para não serem reconhecidas. Mal acedo ao jogo,costumo evoluir muralhas (quando é preciso); depois vou logo recrutar tropas (em massa);  armazeno recursos e reponho nobres (se for caso disso); e, por fim, leio o fórum e as mensagens – se for preciso fazer algo, faço, se não, saio logo da conta. Faço isso umas 2x por dia, geralmente até pelo telemóvel, perdendo no máximo 10 minutos diários com a parte da gerência.

7-Que tempo dedica ao tribos para manter e evoluir o seu jogo que já se encontra num patamar tão elevado?

A juntar aos 10 minutos diários de que lhe falei, gasto, em média, mais umas 3-4 horas semanais. Como o mundo 28 se encontra numa fase avançada e é velocidade 2, não há necesssidade de farmar, pelo que os ataques que envio são apenas ora para conquistar, ora para matar/destruir. Mandar apoios para mim ou para companheiros também não me leva muito tempo, já que tenho a defesa toda organizada.

De salientar também que tenho um co-player, o Nesquik, que me ajuda muitas vezes quando não posso (ultimamente tem sido complicado vir ao jogo). Quanto ao evoluir, ultimamente o que temos feito é conquistar bárbaras para consolidr núcleos, e nisso eu reconheço que ele é ótimo! Quando atacamos jogadores, fazemo-lo de uma só vez (o mais coordenado possível), enviando os ataques no máximo em dois dias diferentes (ter as aldeias juntas ajuda).

Relativamente à defesa da conta, a app do tribos ajuda imenso. Sempre que recebo ataques, recebo a notificação para o telemóvel e, mesmo a partir dele, vejo se é algo que requer a minha presença no pc ou não. A maior parte das vezes acabo por defender os ataques mesmo no telemóvel, o que é muito conveniente.

8- Como é fazer parte de uma das tribos que se mantém mês após mês no 1º lugar das classificações mensais do mundo 28 (Velha Guarda 1.)?

É uma honra. Só tenho pena de não poder ter continuado com a 1. de início e de, devido ao pouco tempo que tenho para dedicar ao jogo, não poder ajudar mais do que ajudo. De qualquer das formas, é gratificante ver a Velha Guarda lá em cima, desde o começo do mundo, mês após mês, guerra após guerra, sobretudo quando no mesmo mundo estiveram outras grandes tribos.

9-Quais são as características que mais aprecia num mundo? Porquê?

Se me fizessem essa pergunta há uns três anos, eu diria apenas velocidade alta. Agora, tenho que enumerar um monte de novas características: sem funções premium avançadas (compra de nobres, reduções de tempo e de custos, compra de recursos, etc), sem mercado livre, em suma, sem todas aquelas coisas que 95% da comunidade não gosta (ou pelo menos diz não gostar). Agora, a velocidade, ironicamente, acaba por ficar para segundo plano.

10-Quais foram as tribos, às quais pertenceu, que o marcaram (dos mundos em que jogou)? Porquê?

Há sobretudo 3 tribos que me marcaram. Uma delas foi a primeira tribo onde estive, HeL (pt9), precisamente por ser a primeira. A outra foi a OldS, do mundo 25, onde joguei ao lado de alguns dos melhores jogadores do PT e fiz várias amizades que até hoje se mantêm. Na minha opinião, o plantel inicial da OldS foi o melhor que já vi num mundo português em termos de sprint. A terceira é a Velha Guarda; para mim, foi a tribo que vi com o plantel inicial mais completo e equilíbrado.

Comparando essas duas últimas com as novas “tribos top” que surgem, apercebemo-nos da mudança de qualidade que o nosso servidor sofreu.

11-Alguma vez pertenceu à liderança de uma tribo? Se sim, o que o motiva mais nesse papel?

Na maioria das tribos por onde passei, no início ou mais tarde, acabei por fazer parte da liderança ou do conselho. Pela minha experiência nesse campo, digo que o que mais motiva um líder é indiscutivelmente ver o seu trabalho dar frutos. Não há nada mais reconfortante que isso. Por outro lado, não há nada mais desmotivador do que lutar por uma coisa que nem todos os membros estão dispostos a fazer. Costuma-se dizer que com um general forte não existem soldados fracos; mas quando os soldados estão decididos a ser (ou parecer) fracos, não há general que os torne fortes… e isso dá cabo de uma tribo.

12-Quais os seus hobbies?

Antes de mais, é irrecusável uma futebolada diária com os amigos. Depois, adoro ler e escrever. Tenho um grande fascínio por cartas, começando pelos jogos e acabando nos baralhos. Tenho várias séries que acompanho atentamente. Jogar Pokémon sempre foi um vicio (gozem, gozem). Também adoro dar um bom jogo de xadrez, apesar de não ter muitos amigos que gostem do jogo. Música toda a gente gosta e eu não sou excepção – não mesmo. Mas o melhor de tudo é dormir; faço-o muito, e só acordo para ter sono para depois voltar a dormir.

13-Jogadores em quem confia plenamente?

Ao longo dos anos fiz várias amizades aqui no tribos, mas as mais constantes foram as seguintes:  Nesquik, Coibes, v3, Inmotion, Diacci e, como não poderia deixar de ser, o meu vizinho PyroManiac. Existem também outros jogadores com quem nunca tive grandes aventuras, mas que sempre me transmitiram confiança, como o Kenzo@Shadow, Snick, Batata Subterrânea, Espinha, Bolacha, etc.

15- Foi um dos jogadores mais falados no forúm externo para ser entrevistado. É importante ter esta estima e reconhecimento enquanto jogador no Tribos?

Acho que dentro de todos nós há, pelo menos, uma gota de narcisismo que nos faz gostar de ver o nosso nome associado a alguma coisa boa. Não sou excepção, mas confesso que me acho um pouco sobrevalorizado. E não digo isto por achar que me acham melhor jogador do que realmente sou, porque nem acho que isso seja o caso, mas sobretudo porque, verdade seja dita, em termos de provas dadas neste servidor, tenho tantas como qualquer pseudo-leet que anda pelo FE. Mas eu sei que, se me apetecesse dar essas provas, não haveria grande dificuldade em dá-las.

Mas respondendo à sua pergunta, acho que isso varia de jogador para jogador. Para esses pseudo-tops de que lhe falei, acho que é esse reconhecimento que os alimenta. Nesse caso, o prazer de ser-se reconhecido como um bom jogador deve ser mais importante do que a consciência daquilo que se joga, e de como se joga. Já para outros, acho que esse reconhecimento fica para segundo plano ou terceiro plano. Conheço bons jogadores que nunca vieram ao fórum externo, que pouco se importam se são considerados as grandes «revelações dos mundos», se fazem parte das «dream teams» nos nossos fóruns ou se figuram entre as «previsões para top 5» – que muitas vezes significa “eu + 3 amigos + 1 outro (para dar um tom de imparcialidade)”.

16-Para terminar: Sugestões a fazer? O que acrescentaria/mudava no jogo em si?

O meu computador tem uma função que lhe permite fazer um restauro para uma determinada data. Se dependesse de mim, e se o tribos fosse como o meu computador, eu restaurava-o para, no mínimo, a altura do mundo 23. Há, basicamente, duas situações lamentáveis que ocorrem no nosso servidor. A primeira diz respeito às configurações dos mundos e às novas funcionalidades que sempre nos surpreendem (pela negativa), mesmo quando se espera que tal não seja possível. Quando começo a jogar um jogo de estratégia, procuro exercitar as minhas capacidades intelectuais – sejam lá quais elas forem – e não as minhas capacidades financeiras. É compreensível que o jogo precise de capital para evoluir, mas há coisas que não se justificam. Comprar recursos? Comprar nobres? Isso é gozar com quem joga isto de forma honesta e sacrifica horas de sono para se matar a farmar…

Mesmo assim, vamos tentar aceitar que isso é uma coisa indispensável para o funcionamento do jogo. Surge, então, uma outra coisa que não me parece fazer sentido: estimulação às ilegalidades. Uma das regras do tribos é não usar multi-contas. Pois bem, se isso é algo proibido, não faria sentido tentar complicar a vida àqueles que usam essas práticas? Ao invés, o que se vê é que uma facilitação dessas práticas, por exemplo, com a função que permite convidar os “amigos” para perto, ou mercado livre ativo de início. Isso são coisas que têm a sua vertente honesta – como convidar realmente um amigo, ou ajudar um membro e tribo que foi limpo –, mas qualquer um consegue ver o real uso que os jogadores lhe dão.

Por isso, acho que o que o tribos poderia fazer era dar mais atenção a essas coisas; dar mais ouvidos aos jogadores, porque, afinal, somos nós que jogamos o jogo. Salvo erro, as configurações do mundo 23 foram escolhidas (por sondagem) pelos jogadores – o que se passou para não se fazerem mais coisas dessas? Existem dezenas de boas sugestões que nunca foram implementadas (duvido que tenham sido sequer analisadas), como a existência de mundos no/limited-hauls, tantas vezes falada no nosso fórum. Isso sim seria evoluir, inovar, para melhor e, com isso, certamente que todos nós ficaríamos a ganhar.

2 comentários a “Entrevista Jogador Alakude”

  1. Uma boa entrevista, reporta a evolução de um jogador e revela a sua capacidade de resistência no jogo ao longo dos meses, assegura a continuidade de um conjunto de bons jogadores que têm mantido o server pt bem vivo.
    O tribos tem evoluído muito rapidamente nos últimos tempos, provocando algum desgaste em certo tipo de playeres que permanecem pelo pt, a gestão diária deste tipo de jogo continua a ser a maior das grandes virtudes do jogador.
    Existe uma celebre frase que se encaixa na perfeição no tribos;

    …” No início do mundo é ele o jogador que decide que tipo de player quer ser”….

    Parabéns pela entrevista e pelo mundo 28.
    Abraço
    W@tchman

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