Aquilo que fica para nós…

Antes de começar paganismo aos peixes deixem-me fazer uma nota pessoal: “OH JOBE! EU ABISEI-TE!” passo a explicar esta expressão, diversos artigos que tenho colocado tem sido inspirados no desacordo e aconselhamento a um membro especial da equipa. O qual terá direito a 1% dos lucros do livro se o chegar a lançar…

speek.01Aquilo que fica para nós é uma filosofia de vida que tenho a vir a adoptar, não tem a ver com as coisas que suportamos e não dizemos, pelo contrario é sim aquilo que já não vale a pena falar. Ontem em conversa num dos meus momentos em contacto com o meu lado obscuro e após diversas eurekas, ouvi uma expressão “quando apanhar a fulana vou-lhe descascar até à lua!” – neste breve momento, lembrei-me que as dinâmicas interpessoais, sejam de trabalho ou emocionais são tão semelhantes e por isso irei mais uma vez abordar esta questão pelo lado sentimental e menos profissional pois parece mais fácil de explicar.

Todos nós já estivemos envolvidos numa relação que não corre tão bem (ou estamos, ou estaremos), como tenho vindo a afirmar a parte mais complicada de uma relação é sempre saber se esta vale o esforço ou nem por isso, apenas com o traquejo e experiencia do Deus pagão do tempo aprendemos isto. – Passo a dizer, que de todos os deuses este é o mais ingrato, tributa-nos tempo e tempo sem garantias que todos os sacrifícios compensem.

É algo que se torna tão comum nos dias de hoje, que as pessoas entrem nas relações de cabeça apenas para mergulhar numa piscina sem água e no embaraço desta situação dizerem que é uma maravilhosa piscina de lindos mosaicos. As relações são cada vez mais difíceis e encontrar alguém com quem valha estar torna-se uma busca interminável e por este motivo as pessoas tornam-se cada vez mais conformistas pelo medo que a próxima seja pior, ou para aqueles que acreditam na alma-gémea que esta está perdida – como defensor do pecado carnal, sobre isto posso apenas dizer que duvido da existência da alma-gémea, mas acredito nos bons encaixes.

Pelo prazer da argumentação, vamos lá admitir as almas-gémeas, se tal existe devemos estar a falar de um amor incondicional que se rege pela verdadeira vontade de triunfar. Então porque sermos acanhados e envergonhados, esta é a tal oportunidade! Devemos ser abertos e francos sobre os nossos sentimentos, da mesma forma que os pequenos detalhes que são as pedrinhas no sapato devem ser removidas. Os beijinhos e carinhos são agradáveis em qualquer relação, mas uma conversa honesta é muito mais produtiva.

Então o que fica cá dentro? É simples, se falamos em relações temos de assumir duas realidades a continuidade e o seu final. O último ponto é quase tão importante como o anterior, pois para a próxima relação funcionar a anterior tem de estar bem terminada. E aqui começa aquilo que realmente não entendo, a conversa do terminar, a maioria dos casais que terminam parecem ter uma necessidade ritualista da morte da relação que não é o processo fúnebre, mas a autópsia. A causa de morte nestes casos é dicotómica sendo que não existe uma verdade absoluta apenas um jogo de acusações sobre aquilo que aconteceu onde ambas as partes se irão irritar.

A verdade tem tantas versões como observadores, nunca será absoluta para todos. A causa de morte é algo que importa apenas no ponto de vista de quem a sofre e para quem a sofre, tornando-se assim algo pessoal e intransmissível. Desta forma, quando uma relação acaba a autópsia conjunta serve apenas para libertar as frustrações de todas as conversas que por medo de ruptura não foram tidas – Newsflash: too little, too late!

Se o final de uma relação vos irritou ao ponto de serem possuídos pelo meu cliente!? Aconselho vivamente a irem nadar, jogar tennis ou algo do género. E por amor ao Diabo! Não vão beber, nada consegue ser mais parvo e remover tanta dignidade como os telefonemas de alguém alcoolizado (recomendo que apaguem logo o numero para não caírem na tentação).

Resumindo, se foi possível guardar a conversa durante tanto tempo é porque não é algo que deva ser dito, aprendam a viver com isso.

Sem alma, mas com os pés na terra,
o Advogado do Diabo

2 comentários a “Aquilo que fica para nós…”

  1. “É algo que se torna tão comum nos dias de hoje, que as pessoas entrem nas relações de cabeça apenas para mergulhar numa piscina sem água e no embaraço desta situação dizerem que é uma maravilhosa piscina de lindos mosaicos”
    Bem, é a tua versão do que vês. Não consigo ver esse exemplo desta forma!:S Eu sou a pessoa que se atira para a piscina sem água realmente para ver os bonitos mosaicos, mas surprise! surprise!…é contagioso!:) Atrás de mim quando olhar, estarão imensos curiosos que também foram ver os mosaicos, e não se importaram com as opiniões de ninguém! Os mosaicos estão lá e não se poderão ver quando a piscina tiver água. Agora transpondo isto para a vida real…Tu és a pessoa que vai estar à beira da piscina e nunca descobrirás como os mosaicos são bonitos! Eu vou ser a pessoa que os viu e vai lá voltar para os pintar num quadro, antes de encherem a piscina(os mosaicos são uma personificação do amor).As dezenas de curiosos lá dentro são as pessoas apaixonadas umas pelas outras e quando sairmos da piscina, vais achar que elas estão a dar uma desculpa por terem acabado de fazer uma estupidez. Na realidade, elas estão simplesmente a contarem-te o que aconteceu, e já estão “embaraçadas”por se terem apaixonado. A decisão no fim é sempre tua! Ou escolhes fazer uma maluqueira, e vais ver o que raio são os mosaicos que toda a gente quer ver… mesmo correndo o risco de fazer figuras tristes… Ou esperas que encham a piscina e depois mergulhas na beleza que nunca verás!;)
    Isto parece a alegoria das cavernas de Platão, e tu estás a escolher ter um grilhão a acorrentar-te!:S Mas hei, desejo-te sorte.^^

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