Economia das relações

Estes últimos dias, estive a trocar umas smses com uma “amiga” numa sub-especie de coro inocente… e a dada altura começamos a utilizar os trocadilhos de termos económicos para classificar o como abordar os relacionamentos.

economics-0Este será um artigo, talvez um pouco difícil de compreender pois utilizarei termos económicos ao invés das famosas metáforas da física e da química – por outro lado ficaram a saber que a minha identidade não se resume apenas às ciências ditas exactas mas também toca as ciências sociais.

Como sempre, os meus amigos e amigas mais próximas preocupam-se com o meu isolamento das relações serias. A minha visão sobre isto mantém-se da na dúvida do investimento à contra partida do lucro. No entanto nesta troca de sinais de fumo electrónicos surgiu o conceito de oferta e procura e como eles tendem a equilibrar-se num mercado perfeito. Verdade, que considero que quase todas as leis aplicadas a fenómenos físicos e sociais se manifestam no conceito interpessoal entre as pessoas.

Se eu procuro uma mulher logo devo ter uma oferta, não só a disponibilidade económica que tenho para despender com ela, mas também todo o resto da minha essência do ser. Então, esta será a parte que deixo a modéstia de parte e tenho de me auto-avaliar no mercado. Então como fazer isto, vejamos a nível económico estou numa situação estável (isto deve ser um ponto positivo em época de crise), o meu status quo social permite-me tratar por “tu logo vens tomar café?” muitas personalidade veneradas por ai fora (creio que isto é mais um ponto positivo), a nível académico – apesar de estar a tirar uma nova licenciatura, tenho provas dadas noutra área (mais que um curso deve ser um mais). Sendo este o embrulho muito mais fica escondido no produto em si.

Então a lei da procura e oferta define-se pelo ponto de equilíbrio de por quanto o produtor irá se livrar do produto e simultaneamente o consumidor está interessado a pagar por isso. Numa relação a equação torna-se ligeiramente mais complicada pois cada parte assume o papel de produtor e consumidor simultaneamente fazendo que as quatro rectas podem nunca se intersectar num único ponto e assim criar apenas uma área negocial na qual uma das partes, ou mesmo as duas ficariam claramente a perder.

Neste ultimo caso, no termo estritamente económico é introduzido os conceitos de luxo. O luxo é dado como um produto raro apenas comparável a um produto inferior cuja sua preferência é denotada quando o consumidor está num patamar económico superior e por esse motivo prefere algo no produto de luxo. Os produtos de luxo não são obrigatoriamente melhores que os “bens inferiores” porém oferecem alguma garantia no produto que os distingue dos restantes, pode ser a marca, a garantia, a imagem, entre muitos outros.

Nas relações o mesmo acontece, e o luxo neste caso pode ser o visual, pode ser o intelecto, o compromisso de esforço, entre muitas variáveis. No entanto o mercado, tal como nas relações, o ser humano é um ser insaciável que procura sempre a máxima satisfação e assim introduziu-se um termo que nos estudos económicos de hoje em dias se tem esquecido, os supra-luxos.

Os supra-luxos são oásis, ou ex-libris de uma dada categoria dos bens são aqueles que se distinguem de todos os outros não só pelos detalhes e primazia de várias qualidades como pela sua raridade. São como aqueles chocolates belgas que uma vez postos à boca rapidamente estamos a tirar o cartão de crédito para pedir todos os da loja, e questionamos como fomos capazes de viver e ser felizes sem conhecer aquele prazer…

O problema na economia das relações é que nem todos sabemos o nosso real valor de mercado, é fácil sobreavaliarmos as nossas capacidades, tal como fazer o exacto oposto e desta forma entramos na tal área de negociação cuja oferta-procura não atingem o equilíbrio desejado.

Que hajam bons negócios a serem feitos por ai, é algo bom! Creio que todos gostam de aproveitar a época de saldos para comprar o item A ou B que antes era muito caro… afinal de contas o lucro é todo do comprador. Porém como se fala de pessoas e por mais que as transforme em objectos, é apropriado ver o outro lado da moeda – especialmente se formos nós a vender-nos por menos – e para tal irei roubar a Lamarck (Biólogo) parte da sua teoria do uso e desuso. Diz-nos este senhor que os órgãos que o ser não utilizar atrofiam-se e os que utilizamos aperfeiçoam-se e vou esquecer a parte genética do caso. Então quer isto dizer que numa relação da área de negociação o pontífice máximo será obrigado a descer o seu nível de compromisso e dedicação e de tal forma desce o seu patamar relativo.

Então, assim sendo, o ser luxoso será degrado… esta é a parte em que muitos leitores devem ficar chateados porque se identificam num dos lados, não merecedores de alguém ou estão com alguém que não os merece – denote-se que o termo merecedor foi apenas utilizado para chatear e não tem qualquer sentido moral, não que esta nota faça alguma diferença.

As boas noticias para os indivíduos nas circunstâncias acima descritas são, ainda estão a tempo de mudar, afinal de contas só a morte é certa porque nunca ninguém de lá voltou para dar informações credíveis – as minhas desculpas a Cristo, mas o sermão dele tinha muita moral associada.

Então à minha amiga, repito, simplesmente acho um desperdício de pessoa estar estragar coisas que gosto tanto em mim e batalhei para moldar e lá chegar. É possível que esteja demasiado qualificado para o cargo de namorado, mas gosto de ser quem sou.

Enquanto houver pecado, não haverá crise.
O herege Advogado do Diabo

2 comentários a “Economia das relações”

  1. Ah coitado do Advogado! Olha no que dá trabalhar para o Diabo!

    Se lerem a crónica com atenção, provavelmente, vão constatar que:

    – o nível de auto-estima é preocupante;

    – a situação económico-financeira, embora estável, será fortemente afectada pela inevitável aquisição de bens “supra-luxus”;

    – a formação académica tenderá a ser um desastre. Num mundo onde reina a iliteracia, mais que um curso gera, no minimo, confusão;

    – se a sociabilidade parece andar pelas ruas da amargura, fruto da obrigação de tomar tantos cafés com o jet7, imagina-se como estará a tensão arterial;

    – os amigos já não aguentam, namorada,obviamente,não arranja e tem a vida em saldo!

    Repito: coitado!
    Estamos perante uma nova realidade: já não andamos a falar com o Advogado do Diabo, nem com o Advogado e muito menos com o Diabo.

    Estamos face a um Santo! Digo-vos eu, que sei imaginar.

  2. “…A minha visão sobre isto mantém-se da na dúvida do investimento à contra partida do lucro.” Investimento?…Lucro??? :S Nunca pensei nas coisas dessa forma, mas compreendo de certo modo o ponto de vista. Há mesma não consigo ver as coisas com esse fim. Apercebi-me que tanto o anjo como o advogado do diabito optam sempre por duas linhas de raciocinio!:S E o que é certo é que existem muito mais que duas, quando se trata de relacionamentos. É como a velha história do “copo meio cheio meio vazio”! O oráculo do matrix diria que o copo não existe. Jesus diria, não importa como está, amai o copo como a vós mesmos… Um filósofo qualquer provavelmente inquiria o porque da existência do copo, antes de tentar arranjar uma resposta final para o problema. Um cientista mediria o liquido para averiguar se pendia mais para o cheio ou mais para o vazio, tendo em conta a dimensão deste…e por aí fora!:S
    O que este texto quer dizer, se bem entendi…é que se a estabilidade financeira te permitir, vais ter o copo cheio se assim o desejares!:S Mas o copo não está ali para encher ou não advogado! Tens que entender o copo…fazer batota nos desígnios que a vida traça para ti, é só adiar o inadiável. Algum dia terás que olhar para o copo(relação)como aquilo que é, e decidires como está o copo realmente, sem truques e sem planos!^^
    Podes complicar o quanto quiseres e adicionares mais problemática ao tema… mas ou decides descobrir como ele se encontra(o copo-relação), ou nunca tentas e vais estar sempre a moldar um vazio ou cheio, nunca encontrando a solução.:)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *