De olhos postos nos céus e mãos nos bolsos
O título deste artigo é deveras sarcástico e irónico, pois irei escrever um pouco sobre um tema da actualidade, que recentemente fez capa numa revista de generalidades, o aquecimento global. Ora não fosse na bela Dinamarca que se reuniriam lideres das várias potências mundiais para discutir o ambiente. Faz lembrar um evento que não faz assim tantos anos, a Cimeira da Terra que ocorreu no Rio de Janeiro.
Abri este artigo com um título que acho que faz jus às preocupações do momento, chegamos a um ponto na história do homem em que nos vemos ameaçados pela forma que tratamos o planeta que nos alberga correndo o risco deste nos expulsar, porém sem tecnologia nem ponto de destino quando isso acontecer. Desta forma, começamos a ser obrigados a pagar as rendas que ficaram para trás e pagar os juros dos comportamentos dos “nossos” antepassados.
Contudo, o mundo é todo ele menos unido ou igual… o Socialismo fracassou e as riquezas estão dispersas, de tal forma que dividimos os países em nomes como “desenvolvidos”, “ricos”, “subdesenvolvidos”, “em vias de desenvolvimento”, “pobres”, “de terceiro mundo… enfim os nomes são tantos.
Quando olhamos para a história do nosso planeta também conseguimos sem grandes esforços ver que os países ditos desenvolvidos foram aqueles que lá chegaram pelas suas atrocidades (para com o ambiente), veja-se o caso do Reino Unido, onde na sua capital encontramos o fenómeno smog (fumo com nevoeiro). Contudo este são também os países que hoje tentam liderar práticas mais ecológicas e incutir as mesmas aos restantes países.
Costuma-se dizer que os países subdesenvolvidos estão a séculos dos desenvolvidos e quando falamos em protecção da natureza isto é uma realidade quase inevitável, a poluição gerada por estes é elevada mesmo que menor dos países industrializados durante a revolução industrial. Contudo são estes que devem pagar o progresso milenar dos restantes? E de que forma?
Um argumento apresentado constantemente por vários dos países “mais poluidores” é qual o motivo que o seu desenvolvimento deve ser afectado pelos “crimes ambientais” praticados por outros? Afinal de contas, não foram eles… E assim começa uma guerra que transcende estados, empresas, pessoas, ideais e vontades.
Quando, logicamente, chegamos à conclusão que para estes países pagarem o preço do desenvolvimento de um grupo restrito de países é preciso que lhes paguem a eles, sendo o valor da etiqueta neste caso de diferentes géneros numa altura que o sistema financeiro está em apuros… a solução parece ainda estar longe e a boa vontade dos líderes destas potências transforma-se rapidamente em apenas mais um acto de poluição (pois os aviões também poluem).
Assim ficamos a olhar para os céus com as mãos nos bolsos, pairando apenas a dúvida temos as mãos nos bolsos porque? Procuramos ver quanto temos para pagar desta renda, ou simplesmente esperamos que o céu nos sorria?
Também a olhar para o céu,
Anjo da Guarda

Curiosidades:
“Organizada para defender o ambiente, a cimeira deixará um rasto de poluição em Copenhaga. Até ao encerramento dos trabalhos espera-se que sejam produzidas 41 mil toneladas de dióxido de carbono”
in revista sábado, nº293