À medida que o grupo de cavaleiros se embrenhava na floresta avançava mais devagar. A grande densidade de árvores, ramos e arbustos impedia os cavalos de avançar com celeridade. A floresta não era muito grande mas era o caminho mais curto para a capital. Não havia grandes conversas entre os cavaleiros. Belta evitava olhar para Avandreolina com receio de se desatar a rir, as suas espessas “barbas” iam deixando um pequeno trilho pelo caminho. Os mais corajosos iam cantando canções populares de épicos esquecidos.
Avandreolina tinha dificuldade em manter o passo. O seu cavalo, um animal de quinta, não possuía o equipamento necessário para uma viagem tão grande e temia não conseguir chegar à capital. Cada vez mais tomava atenção ao pequeno grupo de cavaleiros da capital. Nenhum parecia particularmente contente com a situação excepto o porta voz dos cavaleiros que elogiava constantemente aquela acção sobre a pequena aldeia. O mais velho do grupo era também o mais encorpado. A sua pele extremamente morena revelava uma grande experiência no campo de batalha. Avandreolina perguntou-lhe:
Avandreolina: – Que notícias há da frente da guerra?
Gebor: – Não há notícias há semanas.
Avandreolina: – Então em que estado está o reino?
Gebor: – O reino está adormecido. Desde que o rei Julius faleceu que a vitória pareceu esquecer-nos. Os nossos aliados a Norte e a Leste ameaçam abandonar-nos e prestar vassalagem à Tríade.
Avandreolina: – E enquanto tudo isto sucede o que tem feito o rei?
Gebor: – O rei está no seu castelo rodeado de soldados, receoso do futuro. Enquanto isso o General Sirrus lidera os esquadrões para uma derradeira batalha no vale das almas.
Avandreolina: – Quantos homens possui o rei?
Gebor: – Nos esquadrões juntaram-se cerca de 60 mil homens e cavaleiros. Juntar-se-hão outros tantos depois de formados na capital.
Trog: – Não te esqueças dos mercenários que virão da Casa de Dukov. Chegaremos certamente aos 150 mil no total.
Parecia que um leve alento sustinha as suas palavras.
Avandreolina: – E chegarão tais soldados para derrotar o exército da Tríade?
Ninguém lhe respondeu…
Gebor estava no exército desde tenra idade. Havia vivido dezenas de batalhas e conhecia de perto a proximidade com a morte mas na eminência de combater o exército da Tríade de Pilfius não conseguia manter a coragem que lhe era tão característica.
Trog era um homem baixo e bastante gordo. O seu elmo parecia ser pequeno olhando para o resto do seu corpo.
O pequeno grupo continuou a travessia da floresta e chegou à orla do outro lado da floresta já a meio da tarde e via-se no horizonte um grande planalto praticamente sem árvores.
Pararam para repousar um pouco à sombra das últimas copas quando um homem a pé apareceu mais adiante aos gritos. Avandreolina foi a primeira a avistá-lo. Avisou o resto do grupo e correu a pé em direcção ao homem. O pobre homem estava magoado num braço e sangrava profusamente de um corte na mão. Gritava sem fazer sentido.
Homem ferido: -A… ldeia… fe…ridos…. fa…mília…
O porta voz dos cavaleiros olhou para todos os lados e detectou um pequeno fio de fumo por trás de um monte a Sul da floresta.
Porta voz: – Quem vos atacou?
Homem ferido: – E… e… eram ne…g…gros… cava…los negros…
Gebor puxou da espada e dirigiu-se a cavalo em direcção ao fio de fumo.
O pequeno grupo de cavaleiros da capital seguiu-o sem dizer uma palavra. Todos de espada na mão.
Entretanto Avandreolina e os homens da sua aldeia estavam imóveis sem saber o que fazer. Belta permanecia no fundo do grupo à procura de qualquer coisa no meio da sua saca.
Avandreolina subiu para o cavalo do porta voz e dirigiu-se no encalço de Gebor.
Mal passou o pequeno monte viu que uma dúzia de cavaleiros negros se afastava da pequena aldeia enquanto Gebor e alguns dos cavaleiros da capital tentavam repelir os restantes que ainda se moviam pela aldeia.
Trog: – “AAAAAAAAAAAAAAAAAAH………”
Avandreolina ouviu um grito e correu imediatamente para Trog. Este jazia mudo, sem elmo com uma maça cravada nas costas, a sua cota de malha não parecia ter tido efeito perante a força massiva de quem empunhara aquela maça.
Gebor tinha conseguido afastar 3 cavaleiros negros do centro da aldeia. Os restantes cavaleiros da capital reuniram-se na praça. Tinham conseguido proteger a aldeia. Mas que aldeia? Olhando em volta ninguém se mexia.
O grupo de cavaleiros negros afastara-se incólume e eles perderam um homem. Nisto uma das casas abre uma porta. Uma pequena cabeça espreita cá para fora.
O silêncio que se abatera sobre a aldeia lembrava o de um cemitério.
Avandreolina correu para junto da criança, suja mas lavada em lágrimas, muda como toda a aldeia.
O nosso pequeno grupo de aventureiros ainda não tivera treino de guerra mas ela não esperava por eles.
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Aquarius,
Daniel