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Nobel da paz…

Creio que como grande parte das pessoas que ocasionalmente param para tentar seguir o mundo ficaram chocados com a atribuição do prémio Nobel da Paz ao Presidente Norte-Americano – Barack Obama. Desde que começaram as eleições primarias Americanas o mundo vidrou na corrida entre Hilary Clinton e Barack Obama, ambos os candidatos seriam uma leva de ar fresco em contra posição ao “reinado” Bush dos 8 anos anteriores.

Durante as primarias vi a popularidade de Obama a crescer e numa batalha que apenas nos últimos instantes se decidiu, Obama tornou-se o candidato democrático à Casa Branca numa nova corrida contra Sarah Palin (candidata à vice-presidência pelos republicanos). Já durante a sua campanha Obama prometia grandes reformas internas no seu país como uma politica externa mais aberta.

Com a vitoria de Barack, rapidamente a imprensa se focou em mostrar as diferenças entre este e o seu antecessor, contudo esqueceram-se que o mundo tinha mudado. A herança e a situação global deixada por Bill Clinton era totalmente diferente do legado agora deixado por George W. Bush. Obama entra no poder quando o mundo olha seriamente para a sua carteira, pois a crise financeira é algo que já nos afectava a todos, a “missões de paz” no Iraque e Afeganistão já se tornavam incomportáveis no cenário mundial, e ainda surge a já famosa quasi-pandemia – a Gripe A.

Se Bush entrou no poder com o objectivo de restaurar a “supremacia” americana e ao tentar fazer cavou diversos buracos bélicos e teve de lidar com episódios complicados como o 11 de Setembro, Afeganistão, Iraque, Irão, Coreia do Norte, Rússia, entre outros. Os primeiros anos de Obama serão claramente desfazer (parcialmente) o que foi feito pelo seu antecessor nas politicas externas enquanto tentará aplicar reformas mais “socialistas” a nível interno, sendo assombrado pelo custo destas ideias numa altura que não existe dinheiro ora a época das vacas gordas já acabou.

Todas estas alterações planeadas colocaram o novo presidente na boca do mundo a expressão “we can“, de tal forma que mesmo antes de algo tangível ser feito a comissão dos prémios Nobel distingue-o como o homem que se provou em 2009 como o Homem da Paz! Apesar de gostar muito dos discursos proferidos por Obama, tenho que perguntar: Afinal de contas que passo deu Obama para a Paz? Esta situação faz-me lembrar outro laureado pela Paz, Martin Luther King Jr – sem nenhum descrédito por todo o seu trabalho pela igualdade de etnias mais que merecido, afinal de contas somos todos pessoas de direitos iguais, sem relevância à cor de pelo, sexo, crenças, entre outros. Não foi o “I have a dream” que lhe valeu o prémio, mas um discurso sobre o Vietname.

Receio, que o prémio seja apenas atribuído pela intenção futura e cargo ocupado (que para uns ainda é considerado o Homem mais importante do planeta) e não pelo seu mérito. Olhando para o desconcerto do mundo e a sua situação caótica, caso Obama vá em frente com a tal visão do mundo será um digno laureado, no entanto revejo as minhas reticencias nos interesses do povo norte-americano, será que há forma de fazer cumprir essas promessas? afinal de contas o dinheiro não estica e os americanos já taxam as promessas feitas que são ainda mais caras que a paz no mundo. Como irá Obama (literalmente) pagar estas promessas e fazer jus à sua nomeação?

Admito que estou um pouco céptico, dadas as circunstancias do mundo em que vivemos… E à medida que leio os jornais, revistas, artigos, vejo a esperança depositada em Obama e nos seus discursos. Este é hoje comparado a outra figura, Mikhail Gorbachev (ultimo presidente da URSS) e consigo ver esta analogia de forma diferente.

Gorbachev foi outro reformista, de outros tempos, a sua visão do mundo era também diferente ao esperado pelos seus pares, tendo adoptado uma posição de transparência e reconstrução para abolir a cortina de ferro que separava o mundo em duas fracções. Apesar de todas as boas intenções e os contributos de Gorbachev para o final da guerra fria e o mundo ser como é hoje, ele no inicio foi aclamado como um salvador tanto na URSS como no exterior, tendo conseguido rapidamente ganhar apoios do seu povo e o respeito das fracções “inimigas”. Contudo esta popularidade foi destruída pelo erro de agradar primeiro pela politica externa e deixar o “império soviético” se desmoronar na bancarrota.

Assim, resta apenas sonhar com um futuro melhor, esperar que Obama seja capaz não só de cumprir com as suas promessas ao povo americano, como também encontrar forma de honrar a distinta nomeação pela Paz.

de olhos postos no futuro,
Anjo