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Cinzento: não é preto nem é branco

Nos últimos tempos parece que a zona cinzenta está cada vez mais em moda, eu pessoalmente sou um grande apreciador desta zona, especialmente no que toca a relações. Então para os mais inocentes, o que é uma zona cinzenta numa relação. Esta é a área em que ainda não existe propriamente um compromisso, mas algo já acontece.

Então se o cinzento é o prazer dos dois mundos, porque escrever sobre isto? Bem porque o cinzento para quase todos é o pior pesadelo possível. Um contra-senso? É mesmo… então quando se pode estar com alguém regularmente e ainda não surgiu a conversa da definição, basicamente vale tudo.

Esta é uma teoria da situação ideal, porém as pessoas tem a tendência de controlar as variáveis do momento e ler um pouco mais alem da realidade da situação, desta forma o que era um cinzento puro começa a tornar-se mais branco ou mais cinzento.

Sendo, impossível de manter o cinzento por longos períodos de tempo, pois há coisas que no cinzento não se podem fazer sem um esforço magnífico, recordo-me de ter andado com uma miúda durante 8 meses que a definição de seriedade era “ela tem uma escova de dentes em minha casa e eu uma em casa dela, mas não namoramos”. Ou a outra situação que também está nas minhas preferidas o verdadeiro cinza-benneton, as amizades com privilégios.

O verdadeiro cinzento é impossível de se manter por longos períodos de tempo pela ideia da monogamia imposta pela sociedade, sendo que este apenas se prolonga enquanto existir alguma outra atrocidade social de valência maior, exemplo o facto de alguém estar simultaneamente em várias situações cinzentas (por algum motivo andar com mais que uma pessoa ao mesmo tempo, socialmente, é muito errado). Porém a amizade de benefícios rapidamente tende a alterar segundo o sentido de posse e necessidade de algo seguro…

A tragédia dos comuns

Apesar de ser um termo económico, aplica-se perfeitamente a este caso. Ora veja-se as duas possibilidades por onde a zona cinzenta começa e termina mal.

Quando ambas as partes não estão de acordo com o curso que querem dar à “relação” basta que um esteja a levar a “coisa” de forma mais seria, para que seja como um barco a caminho de rochedo no seu percurso e um rema para a direita e o outro para a esquerda, no final é caso para se dizer aquele calhau era duro como tudo…

O segundo caso, consegue ainda ser mais complicado que o primeiro, pois o anterior é de curta duração e o problema surge rapidamente e a bola de neve cresce rapidamente até chegar ao penedo. Esta segunda situação é um pouco do género “de onde veio mesmo aquele camião”.

O ser humano é um ser de hábitos e sentimentos, portanto é natural que quando um usa a sua amizade de privilégios com alguma regularidade se acostume à magia da relação sem compromissos. No entanto a parte chave nesta expressão é “sem compromissos” o que quer dizer que tanto nós como o nosso parceiro de crimes imorais, é livre de ter outros cúmplices. Isto funciona sempre bem enquanto ninguém procura outros parceiros, pois quando surge a terceira pessoa surgem a eternas duvidas, será que quero algo mais? Será que esta amizade de privilégios acaba aqui? Será que consigo lidar com esta situação? Devo também fazer o mesmo?

No que diz respeito à resposta de tais dúvidas é mesmo “talvez… e bem-vindo ao tornado das dúvidas”. As relações tem um prazo de validade, podem ser desde horas a uma vida (sim, pelos ursinhos carinhos admite-se a possibilidade de algumas relações serem para a vida toda).

A área cinzenta é por natureza o vulgo “one night stand” pela sua magia de desaparecer no dia seguinte porque não há telefonemas, nem repetições e muito menos decisões a serem tomadas. A repetição do acontecimento é de facto uma relação não discutida e com tal começa a surgir as regras destas.

Resumindo e concluindo, vários “one night stands” criam uma relação cinzenta, e qualquer relação por mais cinzenta que seja acaba por ter de ser necessário ter a “conversa”. E o cinzento só é mágico até ao ponto de se ter a tal conversa.