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O Natal é aquela data especial para todas as idades e de tão diferente forma diferente… Nesta quadra lembro-me sempre de diferentes fases da minha vida, quando era miúdo, jovem inconsequente, jovem adulto e quase-quase adulto…

Quando era miúdo…

Na flor da idade olhava para o calendário à medida que o dia 25 de Dezembro se aproximava e começava a escrever a carta ao pai natal que depois entregava aos meus pais para eles enviarem no correio. À medida que montava a arvore de natal preparava estratagemas de como apanhar o pai natal em flagrante e “cravar” mais uns presentinhos… no inicio adormecia sempre, mas com o passar dos anos a minha resistência às tardias horas aumentava e lá consegui ver o pai natal. Contudo a minha irreverência não me fez ganhar mais presentes…

Enquanto jovem inconsequente…

Nesta fase, já tinha mais perguntas existenciais que propriamente o que o pai natal traria… como por exemplo, quem tinha inventado o Natal… Bem o padre da paroquia sofreu muito com este dilema, contudo irei deixar apenas o resumo do extenso combate… Na realidade a palavra Natal é directamente associada ao nascimento de Jesus de Nazaré, contudo varias das tradições que hoje temos do natal são importadas à adoração a Yule (também por vezes conhecido por Thor, na mitologia viking). Na realidade, já antes do nascimento de Cristo haviam rituais pagãs perto do final de Dezembro associados ao solstício de Inverno (21-Dezembro) entre os quais o corte do pinheiro. Assim, durante o cristianismo da Europa, tal como outras épocas especiais foram importados rituais pagãs para as práticas católicas (outro exemplo é o dia das bruxas, dos finados e todos os santos).

Contudo, nesta altura da minha vida procurava mais a minha vida social fora das quatro portas do lar, doce lar que propriamente à mesa de casa (acreditem é uma fase). Sendo assim o natal passado entre a família e a alcateia.

Enquanto jovem adulto…

Esta fase para mim foi marcada pela universidade, claramente o facto de a minha universidade ter sido a milhares de quilómetros de casa implicou que começa-se a dar um pouco de mais valor às tradições familiares. Estes foram os anos que realmente parti à descoberta do mundo e vivi nas mais diversas culturas tendo visto imensas formas de observar o mundo, a religião e a sociedade… contudo o Natal era aquele momento de voltar às origens e partilhar em família tudo aquilo que tinha absorvido e o mundo me quis oferecer.

E com toda a certeza o natal foi quando aprendi com a Dorothy: There’s no place like home. – Wizard of Oz (1939). [sidenote: vejam o filme, é um clássico!]

Quase-quase adulto…

Pouco mudou, entre este e o momento anterior… a vida continua a atirar-me para vários cantos do mundo sem dó nem piedade, mas os natais continuam a ser sagrados em família… marcados apenas pelas alterações do agregado familiar, pois a idade dos miúdos de antigamente agora transforma-se em pessoas responsáveis que começam a preparar novos capítulos na vida. Sendo que começam a ser apresentadas à família as futuras aquisições para as próximas equipas de natal. Afinal de contas nada diz compromisso como levar a namorada para casa no natal…

No futuro!?

Bem… será provavelmente viver todas as experiências que passei pela perspectiva do observador… e claro que ensinar às gerações vindouras o “supercalifragilisticexpialidocious” – Mary Poppins (1964).

Vale tudo? menos tirar olhos?

Alguns dias atrás estávamos todos, como de habitual, numa conversa de Skype quando um disse a frase “a minha nova colega de casa é uma brasa”… rapidamente a atenção masculina focou-se nesta tirada com questões mais pragmáticas do estilo “então, já estás a marcar pontos?” e rapidamente surgiu a questão moralista do assunto numa outra afirmação “tem namorado”.

Disto tudo o que ouvi foi “vizinha gira com cão de guarda”… e prontamente o meu cérebro disparou para perguntar “dás-me o número dela?” que se repetiu com um “ela tem namorado”.

O dilema desta história é um pouco daquela expressão “vale tudo no amor e na guerra” – o típico discurso se os fins justificam os meios ou será os meios que justificam os fins. A minha opinião sincera é nem tanto à terra nem tanto ao mar.

Quando conheço, inicio uma conversa, com uma miúda gira a ultima questão que me lembro de fazer é o namorado. Primeiramente porque não faço a mínima ideia o que irá sair dessa conversa por isso estar a fazer planos daquilo que acontecerá ou não simplesmente não me interessa. Acho mais produtivo dizer olá a pensar se no casamento ela troca ou não o apelido.

À medida que a conversa se desenvolve, rapidamente surge a certeza se aquela é uma pessoa a quem queres ou não dar o teu número de telefone, isto é, voltar a estar com ela (apesar do caso de estudo ter uns contornos diferentes). Então quando alguém sabe a resposta do dar ou não dar o número surge a próxima, qual dos números a dar o descartável ou o “verdadeiro”… este é aquele momento que define o interesse que a conversa está a ter e o rumo das “próximas horas”.

À medida que estas decisões são tomadas o discurso da conversa vai mudando o rumo entre coisas mais e menos pessoais e é criada uma conversa bastante perceptível, ou seja, se ela tem namorado está perfeitamente capaz de o introduzir na conversa com uma linha qualquer. Isto tudo apenas para dizer, a relação é dela e não minha… logo, com toda a certeza não devo ser eu a ter de me preocupar com isso.

Caso seja usada a linha do namorado, no meu livro de regras à apenas algumas questões (mentais – não verbalizar) a divagar,

  • Qual é o número do encontro (em numeração romana)?

Se já tem um V e é a primeira vez que aparece a menção do outro fulanito, podes começar a pensar em enterra-lo.

Se for antes de um V, pensa seriamente na questão seguinte…

  • E para onde queres ir com essa pessoa?

Quarto de hotel? E mudar o numero de telefone? – Eu pessoalmente passava a oportunidade, não pelo dilema moral, mas alguém que namore e seja possível de levar para umas cambalhotas quer dizer que ou está a pensar em vingar-se ou em trocar… e claramente que não te apetece ser o próximo.

Passar o fim-de-semana e umas férias? – É bom que já tenha tido um X na contagem… não que discorde do amor à primeira vista… mas isso é como os milagres ver para acreditar, e ainda não vi nenhum…

Considerando que queres algo mais com a tal beldade que conheceste e só soubeste do emplastro depois de já teres o queixo no chão… bem, não há muito a dizer sobre isto… podes sempre mandar um cartão de boa sorte ao fulanito!?

A realidade é simples, todos os seres humanos gostam de ter uma estabilidade emocional e procuram essa realização. Se existe uma vontade de duas pessoas passarem tempo juntas é sinal que há um certo feedback, o facto de existir outra pessoa é apenas um pequeno obstáculo pelo caminho.

A convenção de Genebra da guerra de engate

Esta é capaz de ser a parte mais simples e complicada de todo o processo – esquece que a outra pessoa existe, uma relação é feita a dois e não a três (filhos excluídos da contagem). O realmente importante é construir uma “ponte emocional entre o par”.

Uma coisa típica que tenho visto no passar dos anos é a necessidade (de combater a insegurança) com frases “se eu fosse o teu namorado (não) fazia…” – falar é bonito, fazer é provar! Portanto da próxima vez que pensares em dizer tal frase imagina-me a dizer “hellllllooooo! DUUUUUHHH! WAKE UP!”

Moral da história

Estás interessado numa pessoa mais que o puro físico, ela tem o mínimo de interesse em ti? Na realidade vale tudo, porém um ataque cirúrgico é preferível a uma destruição nuclear.

Dedicatória

Engata logo a miúda, ou começamos a pensar que a tua religião está errada 🙂