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sentido de justiça…

Pouco dias atrás li uma reportagem num dito jornal de “prestigio” algo deveras chocante, uma personalidade tinha sido presa alguns dias atrás devido a um crime (muito grave, a meu ver) que tinha (alegadamente) cometido à 31 anos atrás. Porém esta reportagem não se centralizava pelo facto de alguém seria apresentado à justiça para responder sobre os seus possíveis actos, mas pela sua libertação.

Esta historia ocorreu noutro país e devido às similaridades de um outro caso polémico que ainda se encontra em julgamento nas nossas terras lusitanas irei abstrair de entrar nesses detalhes. Apenas irei reafirmar que a meus olhos é algo que me choca e assusta saber que há pessoas capazes de tais coisas. Não sei se estas pessoas realmente cometeram ou não tais crimes, e por tal motivo abstraiu-me de passar julgamentos e focar-me-ei na discussão do direito.

Este caso fez-me relembrar a velha polémica das prescrições de crimes, algo que separa claramente vários sistemas judiciais, partindo de filosofias sobre a essência do ser humano completamente dispares. Por exemplo, em Portugal, a um crime cometido é dado um limite de tempo para se trazer a parte culpada à justiça, caso este não seja encontrado nesse tempo e não continue a praticar este crime – a nossa doutrina de justiça assume que a pessoa aprendeu e já não é um risco para a sociedade – sendo que para tipologia de crime existem tempos de prescrição. Desta forma a nossa justiça tenta encontrar e tratar a vitima e o infractor pela sua vertente humana. Ora nos EUA, terra dos cowboys, as coisas passam-se de forma diferente, pois quem comete um crime pode ser julgado em qualquer altura mesmo que já tenha falecido. Para o sistema judicial americano existe uma necessidade de repor e corrigir os crimes cometidos no passado, mesmo que ao fazer estejam a modificar a vida dos descendentes do infractor.

Quando olhamos criticamente para ambas as partes encontramos que estas se encontram em extremos opostos e rapidamente seriamos capazes de tecer o comentário, a prescrição deve existir para crimes “não graves” e não deve existir para os crimes “graves”. Porém isto trata-se de uma dicotomia de significados, o que é mau e o que é “bom”.

Poucos dias atrás ouvia uma musica (retro e verdadeiramente vintage) – The Beatles: Imagine – em que a dada altura John Lennon nos diz “imagina um mundo sem paraíso, … sem inferno… sem países… sem tudo aquilo pelo qual as pessoas matam… é fácil…” não consigo deixar de tentar imaginar este paradoxo. Sei que as pessoas precisam dos seus compassos morais e realidades circunscritas para actuarem numa sociedade funcional, ora sempre que tento imaginar o mundo que Lennon descreve apenas consigo ver algo pior que aquilo que já existe nesse sentido.

Lennon tenta-nos dizer que grande parte das discordâncias que ocorrem entre as pessoas deriva directamente das diferentes valencias que damos aos valores que temos, e assim quando dois são de tal forma dispares detona conflitos. O mesmo poderá se aplicar à decisão de quais são os crimes graves e desta forma ser impossível de se chegar a um dado consenso, sem ainda falar que para algumas pessoas determinados crimes podem ser vistos como nem sendo crimes – continuo a dizer que o circulo vermelho com o número 120 é a recomendação de velocidade de cruzeiro…

Isto tudo para chegar a uma pobre conclusão sobre a justiça, o ideal colocado sobre a justiça é da sua cegueira externa, que esta existe e é movida sobre um pilar estrutural de isenção do mundo externo. Contudo, a cada dia torna-se mais clara a influencia dos meios de comunicação social na perpetuação dos casos, no desenrolar de pré-sentenças, entre muitos outros. Será que caminhamos para uma fase em que as sentenças passaram a ser dadas através de envio de mensagens escritas para um numero de custo acrescido? A justiça poderá passar para um concurso de mera popularidade, uma espécie de reality show do qual as sentenças conseguiram ainda gerar lucros para cobrir os buracos orçamentais.

Eterno critico,
Advodago do Diabo

Desculpa, tens razão…

Não consigo deixar de pensar na musiquinha da Tracey Chapman, que depois foi adaptada por umas bandas pop, quando penso neste assunto – Ela dizia “Pedir desculpa parece ser a coisa mais difícil” (traduzido e adaptado). Hoje trago este assunto, porque tive de pedir o perdão a alguém me próximo por uma situação ridícula.

sorryEntão sobre o pedir desculpa, será mesmo a coisa mais difícil? Acho que não é… As pessoas pedem desculpas a torto e a direito, o pedido de desculpa muitas vezes é utilizado como forma de dizer vamos falar sobre outro assunto!? Sendo tantas vezes falso e não sentido.

Apesar de Anjo, tenho consciência de algumas coisas que todos fazemos e não devíamos, mas sofremos da divina imperfeição humana que nos torna a todos tão especiais.

Acho a parte difícil em pedir o perdão de outra pessoa é a conjunção de “desculpa, tens razão…” – o assumir que a outra parte tem razões fortes para estar chateada e quando é alguém de importante torna tudo diferente, pois falhamos para com uma pessoa que temos em estima e só por isso estamos em falha com nós próprios.

O assumir o erro nesta fase é um passo para a se redimir, mas como dizem os ingleses “sorry doesn’t put humpty dumpty back toghether”. O pedido de desculpas é um acto de submissão à merece da outra pessoa e seus caprichos, o único problema nesta situação é que há dois possíveis cenários de resultado: uma subavaliação do problema (e não nos sentimos castigados e fica o sentimento da divida), a sobreavaliação (neste caso resulta na típica expressão “já te pedi desculpas que mais queres”) e ainda a medida justa (isto é tão raro que nem contei).

Dizem que perdoar é divino e errar é humano, eu compreendo o sentido destas premissas na extensão que é difícil para quem é o lesado encontrar a medida justa de exprimir a “sua dor” na medida certa, mas as pessoas pecam para com as outras pessoas.

O problema dos pecados não são eles acontecerem é impedir que estes tornem-se o princípio de outros e gerem um conflito de maior proporção ou que este perpetuem na sua ocorrência.

Dedicatória: desculpa ter adormecido e ter-te dado uma grande seca.

De asas fechadas,
O anjo da guarda