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Lua Nova

Recentemente fui ver este filme, duas vezes, para piorar a minha sina infelizmente não havia como recusar a segunda ida… contudo acabou por ser uma saída proveitosa – pois consegui ver o filme com outros olhos e questionar-me sobre o paradoxo que me tinha passado um pouco ao lado derivado à companhia da primeira visita ao cinema.

Intrigantemente, ambas as vezes a sala estava cheia e ambas as vezes o filme foi aplaudido como a melhor historia de romance desde “Romeu e Julieta” – titulo proferido por uma pessoa qualquer sentada nas imediações. Naturalmente, fiquei um pouco chocado que a breve passagem de um filme noir sobre tal romance pudesse alguma vez desencadear tal comentário. Ora Julieta foi outra dama de outro tempo… como a Lua Nova claramente mostra.

Os meus valores morais são um pouco fora do comum e tenho quase sempre uma abordagem pragmática a quase tudo que me rodeia, especialmente naquilo que toca no foro emocional. Contudo não consegui ficar perplexo com a atitude da heroína (Bella) deste filme (e digo filme num duplo sentido), mas mais incrível consegue ser a reacção do público. OK! É ficção, mas mesmo assim, uma sala cheia de casalinhos e a opinião geral passar por “que bela história de amor” entre os suspiros das rapariguinhas a questionarem-se porque não podem viver algo do género…

Sem querer contar o filme, digo apenas que grande parte do filme acaba-se por se resumir numa tentativa da Bella esquecer o namorado com um amigo, contudo durante o filme todo ela está apenas a utiliza-lo para aquecer um espaço vazio. Isto seria aquilo que eu diria o “rebound” ou voltar ao jogo, porém isso só seria possível se de facto houvesse algo ali entre os dois e não uma espécie de relação parasitária dela para com o amigo.

É certo e sabido que muitas pessoas fazem isto, mas sempre que em circunstâncias normais sociais alguém conta uma historia dessas é um trinta e um daqueles dos valores morais e o abuso dos sentimentos das outras pessoas, e bla bla whiskas saquetas… Então interrogo-me em pequenos momentos, como é que as mesmas pessoas que rapidamente passam atestados de “sacanice” a ouvir tais historias reais podem lançar suspiros no final deste filme?

Ora bem, eu já fui “acusado” de ser o inimigo publico #1 do amor e dos corações apaixonados, crimes dignos que enforcamento em hasta publica. Ainda que tais frases e discussões acesas nunca me incomodaram, hoje acordo a olhar para um mundo diferente. Sei que tudo aquilo que disse continua a ter lógica para mim, mas também vi que não é por tais ditos serem recebidos (varias vezes) com duas pedras nas mãos deixam de fazer sentido aos que ouvem, reflectem-se nos nossos desejos reprimidos e não pronunciamos pelo medo social.

Pois tais suspiros no cinema não fazem com que a situação vista fosse mais ou menos penosa que as relações gratuitas, tornam-se apenas mais fáceis de aceitar porque todos à volta assim o fazem e seria errado discordar com as massas. Prova-se assim, que com o passar do tempo, com os estilos diferentes, religiões distintas, e todo aquilo que dizemos que fazem de nós algo diferente são apenas meras ilusões… Na realidade, “cada pessoa é única e especial como todas as outras” – fonte desconhecida – quer isto dizer que cada vez mais temos uma visão do mundo globalista do grupo onde estamos e a nossa entidade pessoal está diluída neste.

Resumindo, as pessoas são prisioneiras pelos seus desejos no seu próprio corpo onde a sua liberdade condicional é apenas atingida no consenso de um grupo que tal permita.

É caso para dizer eu penso no que eu quero
Advogado do Diabo

Seriedade… ou serenidade…

ILHYEste artigo é co-escrito, entre o Advogado do Diabo e o Anjo da Guarda e surge do resultado de um café entre amigos e da eterna batalha argumentativa de qual é a relação ideal e será que é melhor as relações que perduram versus as relações pontuais.

O Advogado,

Antes de mais, deixem apenas dizer que vou utilizar a palavra “serio” e as suas variantes fora do meu conceito no que se aplica a relações. Apesar o termo de relação seria, no meu entender também acaba por tocar neste ponto de intimidade e compromisso, creio que a seriedade de uma relação é algo mais complexo e profundo que apenas números de coisas e que se fazem e a sua frequência num calendário.

Como pré-conceito irei partir da máxima que todas as pessoas do planeta estão dispostas a algures na sua vida a terem uma relação inconsequente do dia de amanha e por esse motivo fica já uma aleluia ao nosso anjo.

Ontem, na nossa conversa acesa profanei o conceito de relações e as dinâmicas existentes entre os diversos tipos de relações. Sendo que o supra-ex-líbris foi porque motivo deveria de ter uma relação seria se consigo ter os prazeres carnais ao entrar num bar e os prazeres metafísicos em conversas como aquela que estávamos a ter com os meus amigos (e amigas, por incrível que pareça também tenho disso) mais próximos.

A verdade é que as relações estáveis apresentam algumas vantagens, por exemplo saber o nome da pessoa que está ao nosso lado quando abrimos os olhos. As constantes trocas de mensagens e telefonemas com frases do género onde estás!? – upss, isso é uma das más partes… ou talvez como disse o outro senhor, ouvir um amo-te sentido! No entanto, sem querer insultar as gerações mais novas, como é que se sabe que o amo-te ou a sua versão light, o adoro-te, é sentido? As palavras e os conceitos, tal como tudo no mundo, mudam o seu significado. Eu lembro-me de nos meus tempos de juventude uma miúda dizer-me amo-te era assustador, significava algo de muito importante e que ela me via como um parceiro para a vida e rapidamente sentia o sufoco da responsabilidade. Aquilo já era algo bastante serio e daquele momento em diante acabava-se a brincadeira para o bem ou para o mal.

Para felicidade, e também para a minha infelicidade, os meus ouvidos já ouviram vários “amo-te” e “adoro-te”. Mas nenhum me marcou tanto como em 2004, enquanto ia-me divertindo com uma amiga colorida que estava numa situação pouco normal de relacionamento para se andar a divertir. Foi num fim-de-semana de maratonas que a dada altura ela me disse “amo-te” o momento não podia ter sido pior, porém segundo o código da guerra dos sexos, coisas ditas nessa altura devem ser ignoradas e assim o fiz. Mas com o passar dos dias o “amo-te” começou a surgir com maior frequência, apesar de nunca lhe ter dito de volta as mesmas palavras comecei a reparar que essa expressão surgia em alturas particulares, quando os benefícios da nossa amizade não estavam a ser utilizados. A expressão tinha-se tornado num reflexo condicionado do Pavlov, era a campainha que anunciava um convite desportivo.

Apesar de todas as minhas folias e fugas às relações serias, já estive metido em algumas – afinal de contas como podemos saber que algo não foi talhado para nós antes de experimentarmos? No entanto é certo e sabido que somos o produto do nosso passado, constantemente preocupados com o futuro e a deixar fugir o presente, por este motivo sempre fui uma pessoa muito consciente e fatalista no que toca a relações serias, sei o que realmente quero e o que estou disposto a dar por isso. Com toda a minha experiencia de vida a taça não é o troféu máximo, pelo contrário é algo fácil de obter num bar a 20 km de minha casa (nos mais próximos estou um pouco marcado ou teria de repetir a corrida).

No entanto existe uma necessidade do sexo feminino de complicar as relações, e de as planear. Ora se num encontro casual as coisas acontecem, e como dito anteriormente todos nós estamos pré-disposto a tentar pelo menos uma vez… porque é necessário complicar aquilo que na teoria já é serio? Falemos de novo da famosa taça, ora bem se for sair ao tal bar, no máximo são 5 horas até chegar ao final da taça, porém se for arriscar numa relação seria com essa mesma pessoa habilito-me à taça passados 5 meses… o ridículo disto é que pode ser a mesma pessoa a levar percursos diferentes, mas quando estou a investir para algo de nem trocar o número de telefone é um par de bebidas e umas piaditas parvas. Ora se for algo serio… é uns jantares, cinemas, passeios por acolá, conhecer os pais, etc…

Ou seja, discordo! Não me faz sentido que os actos inconsequentes sejam de borla e os sentidos sejam os olhos da cara. Agora deixarei o Anjo discursar um pouco para contra-atacar…

O Anjo,

As relações são mais que uma postura carnal, são uma cumplicidade ao mais alto nível entre duas pessoas. Uma relação é o complemento de duas pessoas numa entidade de consciência comum, é um processo de entrelinhamentos entre um par e não é algo passível de acontecer de um dia para o outro, exige trabalho árduo inicial na construção de alicerces sólidos e constante manutenção daquela chama que os une.

Infelizmente é quase impossível de determinar se as relações irão funcionar ou não, depende imenso das pessoas envolvidas como dos meios exteriores. Acontece muitas vezes que por mais vontade de uma das partes (ou mesmo das duas) em fazer tal relação perdurar pode não ser o suficiente. Gosto de pensar que as relações no seu estado inicial são como o gato de Schrödinger.

O gato de Schrödinger,
A teoria de Schrödinger basea-se na relatividade dos eventos (física quântica), simplificando a teoria, Um gato está fechado dentro de uma caixa com algo venenoso, cabe ao gato decidir se irá se alimentar do veneno ou não. Porém o observador nada sabe sobre o estado do gato até abrir a caixa. Durante o tempo que a caixa está fechada para o observador o gato está simultaneamente vivo e morto. A certeza é apenas atingida com a abertura da caixa.

Quer isto dizer, que até ambas as partes atingirem um consenso de quanto querem investir nessa relação tudo é incerto, esta é uma relação que tem tudo para chegar ao “happy ending” tal como ao “crash and burn” tudo que lhe falta é abrir a tampa na caixa de Pandora e descobrir os males que dela saíram e a esperança que ficará.

Das relações que falham pouco há a dizer, senão compreender o porque de terem falhado e o que esperar no futuro, tal como o advogado disse, o passado marca-nos no entanto não tem de ser o assassino do nosso presente e futuro.

As relações que continuam, precisam agora de ser trabalhadas e limadas para garantir a sua continuidade, no entanto nesta fase surgem já os verdadeiros benefícios de uma relação estável. Quem não gosta de depois de um dia tenebroso chegar a casa e ter a sua cara-metade para o receber com aquele genuíno sorriso de felicidade. As palavras podem ter vindo a perder o seu significado, talvez hoje o “amo-te” seja utilizado de mão leve para diversas situações, no entanto isso não quer dizer que a emoção “dos tempos antigos” tenha desaparecido, pode sim ter-se diluído no termo – mas isso só o torna ainda mais especial quando se encontra algo tão sincero e sentido.

Não existe, nenhuma, acção no mundo que não possa ser feita de leve ânimo, seja um beijo, um abraço, um carinho, etc… no entanto a realização pessoal de se fazer esses actos a alguém que realmente queremos agradar todos os dias.

Uma relação séria é quando conseguimos abrir mão do nosso coração para entregar a outra pessoa sem pedir nada em retorno, e apenas esperar que essa pessoa não o vai partir.

O advogado contra-ataca…

Será possível de se esperar que uma relação foi feita para perdurar? Se uma relação é feita de sentimentos mútuos e deve ser sincera (segundo o que percebi e do qual não discordo). A questão que levanto não é do conceito geral de uma relação, mas sim da sua real existência e se realmente valerá a pena procurar estas?

Se uma relação séria tem como uma das bases a sinceridade dos sentimentos, a que se chamará a uma relação que é programada? Digo programada na forma como evolui… lembro-me do meu último relacionamento, altamente condicionado pelos faux pas do indivíduo que me precedeu, verdade que não sou nenhum anjo (para isso existes tu meu amigo). Mas partindo do principio que o passado foi de tal forma marcante sobre a outra pessoa que condicionou as atitudes desta nova relação. Seria de se esperar algo diferente? Talvez sim, talvez não… cada pessoa lida com a sua bagagem de forma diferente.

Podia-se argumentar que se travava apenas de um simples caso de “wrong time, wrong place” porém a causa de morte de pouco interessa a realidade é que encontrar o nível de sinceridade emocional para criar as tais bases é uma utopia, que nem mesmo nessa ilha deve existir.

Outro ponto pelo qual sou obrigado a discordar é nas relações falhadas. Não só pelo facto acima indicado porém algo mais pessoal, que são as cicatrizes emocionais que os relacionamentos deixados para trás. Para mim o melhor tratamento para isso é voltar ao jogo e relembrar-me que ainda tenho algo que atrai o sexo oposto. No entanto, tal como disse, diferentes pessoas diferentes formas de lidar com a “rejeição” varias atiram-se numa espiral de depressão (um termo que também diluiu a melancolia e os sentimentos perca).

Não discordo que as relações estáveis contribuem para um ego mais forte e saudável, melhorando significativamente o nosso estado. A minha divagação sobre este assunto prende-se à velha questão será que os meios justificam os fins? Todo o investimento que é necessário para encontrar (e nada garante) a tal relação? Afinal de contas este jogo de seduções, faz-me lembrar outro jogo estranho, a roleta russa.

O Anjo conclui…

É um jogo, sim… contudo, se o prémio é tão cobiçável, apenas uma coisa é certa se não o jogarmos o prémio não nos irá cair no colo. Em vários artigos escritos ao longo desta crónica foi sempre dito que a forma correcta é tomar uma atitude mais pró-activa e tomar controlo do destino.

Nada na vida é simplesmente fácil, aquilo que realmente vale a pena exige esforço e tributação de quem tenta alcançar. Isto faz-me um pouco lembrar os exames, quem estuda tem maior probabilidade de sucesso no exame. O mesmo acontece neste caso, não posso dizer que não existem azares e becos sem saída, mas também somos capazes de ver que erramos em alguns caminhos e voltar a trás para seguir uma nova direcção.

A forma mais simples que tenho para concluir este artigo é apenas dizer que a vida é como um barco, agora existem barcos que são desgovernados e aqueles que sabem para onde vão… a escolha cabe a cada um.

O dueto (Advogado e Anjo)

Vale tudo? menos tirar olhos?

Alguns dias atrás estávamos todos, como de habitual, numa conversa de Skype quando um disse a frase “a minha nova colega de casa é uma brasa”… rapidamente a atenção masculina focou-se nesta tirada com questões mais pragmáticas do estilo “então, já estás a marcar pontos?” e rapidamente surgiu a questão moralista do assunto numa outra afirmação “tem namorado”.

Disto tudo o que ouvi foi “vizinha gira com cão de guarda”… e prontamente o meu cérebro disparou para perguntar “dás-me o número dela?” que se repetiu com um “ela tem namorado”.

O dilema desta história é um pouco daquela expressão “vale tudo no amor e na guerra” – o típico discurso se os fins justificam os meios ou será os meios que justificam os fins. A minha opinião sincera é nem tanto à terra nem tanto ao mar.

Quando conheço, inicio uma conversa, com uma miúda gira a ultima questão que me lembro de fazer é o namorado. Primeiramente porque não faço a mínima ideia o que irá sair dessa conversa por isso estar a fazer planos daquilo que acontecerá ou não simplesmente não me interessa. Acho mais produtivo dizer olá a pensar se no casamento ela troca ou não o apelido.

À medida que a conversa se desenvolve, rapidamente surge a certeza se aquela é uma pessoa a quem queres ou não dar o teu número de telefone, isto é, voltar a estar com ela (apesar do caso de estudo ter uns contornos diferentes). Então quando alguém sabe a resposta do dar ou não dar o número surge a próxima, qual dos números a dar o descartável ou o “verdadeiro”… este é aquele momento que define o interesse que a conversa está a ter e o rumo das “próximas horas”.

À medida que estas decisões são tomadas o discurso da conversa vai mudando o rumo entre coisas mais e menos pessoais e é criada uma conversa bastante perceptível, ou seja, se ela tem namorado está perfeitamente capaz de o introduzir na conversa com uma linha qualquer. Isto tudo apenas para dizer, a relação é dela e não minha… logo, com toda a certeza não devo ser eu a ter de me preocupar com isso.

Caso seja usada a linha do namorado, no meu livro de regras à apenas algumas questões (mentais – não verbalizar) a divagar,

  • Qual é o número do encontro (em numeração romana)?

Se já tem um V e é a primeira vez que aparece a menção do outro fulanito, podes começar a pensar em enterra-lo.

Se for antes de um V, pensa seriamente na questão seguinte…

  • E para onde queres ir com essa pessoa?

Quarto de hotel? E mudar o numero de telefone? – Eu pessoalmente passava a oportunidade, não pelo dilema moral, mas alguém que namore e seja possível de levar para umas cambalhotas quer dizer que ou está a pensar em vingar-se ou em trocar… e claramente que não te apetece ser o próximo.

Passar o fim-de-semana e umas férias? – É bom que já tenha tido um X na contagem… não que discorde do amor à primeira vista… mas isso é como os milagres ver para acreditar, e ainda não vi nenhum…

Considerando que queres algo mais com a tal beldade que conheceste e só soubeste do emplastro depois de já teres o queixo no chão… bem, não há muito a dizer sobre isto… podes sempre mandar um cartão de boa sorte ao fulanito!?

A realidade é simples, todos os seres humanos gostam de ter uma estabilidade emocional e procuram essa realização. Se existe uma vontade de duas pessoas passarem tempo juntas é sinal que há um certo feedback, o facto de existir outra pessoa é apenas um pequeno obstáculo pelo caminho.

A convenção de Genebra da guerra de engate

Esta é capaz de ser a parte mais simples e complicada de todo o processo – esquece que a outra pessoa existe, uma relação é feita a dois e não a três (filhos excluídos da contagem). O realmente importante é construir uma “ponte emocional entre o par”.

Uma coisa típica que tenho visto no passar dos anos é a necessidade (de combater a insegurança) com frases “se eu fosse o teu namorado (não) fazia…” – falar é bonito, fazer é provar! Portanto da próxima vez que pensares em dizer tal frase imagina-me a dizer “hellllllooooo! DUUUUUHHH! WAKE UP!”

Moral da história

Estás interessado numa pessoa mais que o puro físico, ela tem o mínimo de interesse em ti? Na realidade vale tudo, porém um ataque cirúrgico é preferível a uma destruição nuclear.

Dedicatória

Engata logo a miúda, ou começamos a pensar que a tua religião está errada 🙂