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Anatomia: uma má discussão

Quem nunca teve uma discussão? Apenas aquele que ainda está para existir pode dizer que não teve uma discussão mas brevemente irá perceber que isso não dura para sempre enquanto estiver a competir com os restantes milhares de concorrentes da existência enquanto ser.

Há boas e más discussões como tudo na vida, a única coisa certeira é que nada é perfeito. A boa discussão, se é que existe é aquela em que aprendemos algo e mudamos algo em nós perante o mundo. Já a má discussão é o puro desperdício de ar em que pelo menos uma das partes não está interessada em construir algo de produtivo após essa discussão.

Recentemente, tive a experiencia de viver várias discussões e tive algum tempo para parar e puxar-me para fora do cenário bélico e tentar ser a Suíça no conflito. Rapidamente consegui ver que ambas as partes estavam erradas, nem tanto no que se discutia, fosse correcto ou errado o que tinha sido feito, ou quem tinha feito o pior. Pois ambas as partes tinham pecado, contudo o verdadeiro erro nem era discernir qual das partes poderia ter maior quota na razão, mas sim a postura que já levam para a discussão, ora quando um queria ceder o outro claramente atacava, e quando se chegava à discussão seguinte os papeis acabavam por se inverter.

A anatomia de uma má discussão não está na discussão em si, mas sim no que rodeia, ou melhor dizendo no intervalo da discussão. São todos aqueles pequenos (e grandes) detalhes que vamos fazendo ao longo do tempo apenas para fazer a outra pessoa se sentir mal.

O sentimento de desconforto, o por sal na ferida e os actos egoístas são resultados são fenómenos de “bola de neve”.  Há gesto que são “delicados” outros mais grotescos, mas todos eles contribuem para a má discussão e destruir os motivos que levaram as duas partes a discutir.

Quando olho para trás e anatomicamente disseco a minha discussão sei que no inicio tive razões, mas diversas acções e palavras proferidas levaram-me a perder o motivo original da discussão, contudo estas mesmas acções e ditos levaram a outras reacções que por sua vez também fizeram o outro lado perder parte da razão ganha, e assim sucessivamente.

O resultado é inevitavelmente uma má discussão, pois focou-se sempre nas causas e não no compromisso de solução que funciona-se e satisfizesse ambas as partes.

Resumindo aquilo que nada diz, as discussões são inevitáveis e acabam por ser um exercício de cedências e esquecimentos do egoísmo do ser, devemos querer algo para o futuro e não arrastar o que passou.

Há uma expressão típica que diz “forgive and forget” que dispensamos rapidamente nas discussões, contudo uma má discussão demasiado longa resta-lhe apenas o “forget” e ninguém está mais interessado no “forgive”.

Um dia mais sábio,
Anjo da Guarda

Desculpa, tens razão…

Não consigo deixar de pensar na musiquinha da Tracey Chapman, que depois foi adaptada por umas bandas pop, quando penso neste assunto – Ela dizia “Pedir desculpa parece ser a coisa mais difícil” (traduzido e adaptado). Hoje trago este assunto, porque tive de pedir o perdão a alguém me próximo por uma situação ridícula.

sorryEntão sobre o pedir desculpa, será mesmo a coisa mais difícil? Acho que não é… As pessoas pedem desculpas a torto e a direito, o pedido de desculpa muitas vezes é utilizado como forma de dizer vamos falar sobre outro assunto!? Sendo tantas vezes falso e não sentido.

Apesar de Anjo, tenho consciência de algumas coisas que todos fazemos e não devíamos, mas sofremos da divina imperfeição humana que nos torna a todos tão especiais.

Acho a parte difícil em pedir o perdão de outra pessoa é a conjunção de “desculpa, tens razão…” – o assumir que a outra parte tem razões fortes para estar chateada e quando é alguém de importante torna tudo diferente, pois falhamos para com uma pessoa que temos em estima e só por isso estamos em falha com nós próprios.

O assumir o erro nesta fase é um passo para a se redimir, mas como dizem os ingleses “sorry doesn’t put humpty dumpty back toghether”. O pedido de desculpas é um acto de submissão à merece da outra pessoa e seus caprichos, o único problema nesta situação é que há dois possíveis cenários de resultado: uma subavaliação do problema (e não nos sentimos castigados e fica o sentimento da divida), a sobreavaliação (neste caso resulta na típica expressão “já te pedi desculpas que mais queres”) e ainda a medida justa (isto é tão raro que nem contei).

Dizem que perdoar é divino e errar é humano, eu compreendo o sentido destas premissas na extensão que é difícil para quem é o lesado encontrar a medida justa de exprimir a “sua dor” na medida certa, mas as pessoas pecam para com as outras pessoas.

O problema dos pecados não são eles acontecerem é impedir que estes tornem-se o princípio de outros e gerem um conflito de maior proporção ou que este perpetuem na sua ocorrência.

Dedicatória: desculpa ter adormecido e ter-te dado uma grande seca.

De asas fechadas,
O anjo da guarda

O santo diabo do plágio

O plágio sempre foi algo que me fez confusão. Por exemplo nas actividades escolares copiar o texto de alguém e não o citar apelida-se de fraude académica, sendo em alguns locais do mundo suficiente para expulsar um aluno.

Com a propagação da Era Cibernética, o plágio torna-se cada vez mais frequente e descarado. As pessoas fazem copy & paste de textos sem dizer que na realidade estes foram escritos por outros apropriando-se assim do trabalho intelectual de outros. Se realmente as palavras de alguém dizem aquilo que queremos transmitir, porque não agradecer e dizer que a pessoa sabia o que dizia?

Naturalmente, acabamos por dizer frases e clichés de filmes, livros, entre outras coisas que ouvimos e que soam bem, às vezes a fonte de inspiração é tanta que podemos até nem nos recordar de onde veio, porém fica aqui um pequeno conselho de dar a volta de uma forma divertida, “já dizia a minha avozinha” ou “como diria o outro senhor”.

Parece algo inofensivo roubar as palavras de outros, porém pensem que um dia alguém pode roubar a vossa ideia no trabalho e conseguir a tal promoção… nessa altura o vosso sentimento para com o plágio será deveras diferente.

Afinal de contas, quem tem telhados de vidro não atire pedras para o telhado do vizinho (provérbio popular).

Advogado do diabo

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